09 - 11/9 - Parte 1

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- Você sempre foi a mais fraca e a mais medíocre. - Ao redor, muitas pessoas de preto. No sofá, Olívia com um terno e saia negros. O cabelo está em um coque singelo. Os olhos avermelhados demonstram que houve choro. Na sua frente, a sua mãe que profere tais palavras em uma impassibilidade amedrontadora. O rosto da professora de Chicago transborda a ferida que foi mexida em seu coração. O que foi dito desmonta a mulher que agora, em outro mundo, possui uma força descomunal.
Ao perceber o seu desfalecer, Nora, que havia planejado tanto sucesso para a filha, reprova com o olhar e a boca num muxoxo. Como se dissesse: fraca.

 Como se dissesse: fraca

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*

  Olívia se ergue da terra úmida da floresta dos Destruidores. No seu ouvido, só um zumbido constante causado pela explosão. O horizonte ao redor se clareia com os lampejos das bombas lançadas. A noite quase que vira dia. Dia sombrio, por assim dizer.
  Ao se pôr de pé, Olívia vê um enorme veículo passando lentamente por cima de si, alguns metros acima. É como estar debaixo de uma das maiores baleias da Terra; como estar no oceano. Sim, perdida e entorpecida pela falta de oxigênio e cercada por monstros poderosos e famintos. O coração dela golpeia o peito com rapidez e desespero. A sua respiração é ofegante. Olívia dispara na direção oposta da nave, ao norte, mergulhando em fumaça e neblina.

*
  É uma manhã narrada pela fumaça e pelo tempo nublado que não ameniza o mormaço. Olívia chega a um acampamento de tendas brancas e triangulares feitas de tecido surrado. Aproxima-se com cuidado, saindo detrás das árvores grossas da área, as tais gulangulan, com folhas boas para o estômago. Em passos miúdos,  parte para trás de outra gulangulan e pode ver que se trata mesmo de um ajuntamento dos Destruidores. Lura caminha para fora dum círculo de soldados, transtornada e de cabeça baixa. Mesmo ainda um tanto longe, os seus olhos de feitio quase felino, encontram Olívia. A líder está a caminho. A garota ruiva, que luta para não perceber a ausência do anel de noivado no dedo, depara-se com uma Lura igualmente descabelada. A sua face ainda se recupera de um pranto. As bochechas e o nariz manchados de um rosa mais intenso podem provar isso.
- Onde estão? Conseguiu salvá-los? - Dispara como a patroa, que no fundo é.
- Como? - Olívia questiona em algo próximo a um gemido.
- Onde estão as pessoas que deixei ao seu cuidado? ONDE ESTÃO?  - Lura aumenta a agressividade do interrogatório sem aumentar o volume da voz.
- Eu... Eu...
Ao perceber o que completaria a sua resposta, Olívia sente o mundo ficar em mudo, parado e borrado.
- Você? - Lura tenta entender e então, como um animal que fareja a podridão de uma comida ruim, consegue concluir:
- Você os deixou. - Um furor misturado com algo que beira ao desprezo e o nojo toma conta dos olhos da líder.
- Eu... - Uma Olívia inédita e perturbada, descompensada tenta raciocinar diante do absurdo.
- Você foi fraca demais.
Pronto. Uma lágrima explode do rosto de Olívia.
- Olívia, não adianta chorar. - Lura exorta antes de ir em direção a outras pessoas. A garota de Chicago cai de joelhos com o rosto entre as mãos que se aquecem com suas lágrimas.

*

- Não adianta chorar, Olívia. - Nora declara com os ombros eretos e postura autoritária enquanto a filha está ajoelhada diante dela em seu quarto.
- Não adianta.

Na floresta no Sul do planeta de Ä, o som do choro da garota de Chicago e de outros abraçam melancólicos o do crepitar da fogueira e do vento tímido nesse dia quente.

SETE - Volume I [COMPLETO]Leia esta história GRATUITAMENTE!