Capítulo 37 - Sangue Lavado

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É incorreto supor quetodas as pessoastêm a mesma capacidadede sentir ~ Erich Maria Remarque

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É incorreto supor que
todas as pessoas
têm a mesma capacidade
de sentir ~ Erich Maria Remarque

* * * 

A imagem do jardim de Shangri-lá movia-se como se fosse um ser vivo e eu me sentia confuso, girando.

Os tambores soavam.

Então, este ser vivo dissolveu-se,  dando lugar a uma velha e conhecida imagem. O quintal da minha casa. E nele,  três corpos caídos no chão.

Os tambores continuavam a soar e o ritmo deles me deixava mais e mais zonzo e enjoado.

Uma viagem curta com uma queda longa pode ser mágica mas também pode ser trágica pela forma como tudo se desenrola.

Confuso e girando, caí.

Com o rosto em terra, vi a faca lambuzada de sangue a poucos metros de mim. Na lâmina, lia-se "A cidade Lagoa Prateada lhe é grata" em letras afundadas no aço e preenchidas com sangue.

Confuso e girando, apaguei.

Quando acordei, fiquei um bom tempo sentado, abraçando meus joelhos até então entender. Sabe quando você entende algo mas não aceita seu entendimento? Uma dualidade explode na sua mente. O Cigano que me era tão real e a quem eu gostei, era fruto da minha imaginação. Tinha que aceitar que ele e tudo o que encontrei em Shangri-lá foi uma peça produzida pela minha cabeça. Eu entendi. Mas não sei se, até hoje, já aceitei isto por completo.

Fiquei olhando os corpos sem vida no chão e então decidi retomar brevemente a minha rotina.

Arrastei os corpos pelos calcanhares até o poço seco, um a um.

Os atirei dentro da escuridão, mas desta vez sem olhar para dentro do poço.

Depois joguei madeiras secas dentro do poço seco. Também um pedaço de roupa velha embebido no que sobrou do fluído de isqueiro. Incendiei o interior do poço seco. A fumaça negra subiu ao céu em uma coluna espessa.

Eu ainda estava tonto. Olhei para o quintal e as manchas de sangue me incomodaram. Eu queria ter algum tipo de preparo feito pelo Mago Barulhento para queimar todas as manchas. Lavei os vestígios do sangue no quintal com bastante agua, o que demandou muitas idas e vindas ao poço molhado.

Deixei minhas botas para fora da casa.
Comi. 
Deitei em minha cama.
No dia seguinte eu iria embora daquele lugar,  para bem longe.
Um lugar que de fato existisse.


Jeff mais leve que o arOnde as histórias ganham vida. Descobre agora