Escada

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Capítulo 17

Escada

          O dia estava especialmente tumultuado no prédio principal da Escola do Divino. Desde que as Damas de Ferro voltaram com uma Amaldiçoada prisioneira, os responsáveis pela escola passaram o dia inteiro querendo explicações de Veraprata. Até o momento, ele conseguira manter os diretores calmos, mas o clima estava especialmente tenso.

          Apenas o fato de que só após a chegada dela que os diretores ficaram sabendo que um aluno da escola se tornou um Amaldiçoado já foi o suficiente para deixar os nervos deles à flor da pele, mas após uma investigação preliminar mostrar que ela pertencia à mesma guilda que o famoso Dragão Dormente, eles simplesmente começaram a enlouquecer.

          Eles estavam trancados o dia inteiro dentro de suas salas, discutindo se deviam ou não avisar o Divino da situação, temendo uma invasão da guilda da Amaldiçoada, mas, ao mesmo tempo, temendo uma represália por não terem informado eles mais cedo da situação. O único que parecia estar de bom humor era o pivete do Veraprata. Assim que seu cachorrinho havia chegado com a prisioneira, ele a trancou em uma das celas e desde então estava com um sorriso idiota no rosto.

          Eu gostaria de saber o que ele estava planejando, já que toda vez que ficava de bom humor, alguma espécie de catástrofe acontecia logo em seguida. Mas eu ainda estava sob investigação, portanto não podia nem colocar a ponta de meu nariz para fora do prédio principal. Mas mesmo presa, algo me dizia que logo nós teríamos muitos problemas por causa das ações daqueles dois pivetes.

*

          Aquilo não estava certo. As ordens eram para ou capturar o alvo, ou garantir que ele viesse até a escola para ser capturado aqui, mas mesmo assim, as ações do Executor durante a missão não pareciam fazer sentido. Brayan já havia sido ferido severamente pela Fragarach, a única coisa que o estava mantendo de pé era o Miasma correndo por seu corpo. Mais alguns instantes e ele seria incapacitado, então nós poderíamos tê-lo trazido de volta como prisioneiro.

          Mas, mesmo assim, Executor ordenou que voltássemos, ameaçando nos acusar de traição caso desobedecêssemos. Talvez ele só quisesse recuar antes que mais alguma complicação acontecesse, mas mesmo assim. Algo não parecia certo nessa situação toda.

          — Kendra? Tudo bem?

          A voz de Meredith me tirou um pouco de meus pensamentos, mesmo que apenas um pouco. Desde que havíamos voltado, ela estava com um humor ligeiramente mais depressivo do que o normal. Aparentemente a luta dela não tinha sido tão satisfatória quanto havia esperado.

          — Apenas pensando sobre a missão.

          — Ainda sobre isso? Nós já completamos ela, não? O tal do Executor mesmo disse que nossos serviços não eram mais necessários. — A voz dela continha um tom irritado ao dizer o nome do Executor. Aparentemente ele havia causado uma má impressão nela.

          — Eu consigo entender a sua preocupação, Kendra — disse Gladys. Desde que havíamos voltado, ela também parecia ter sentimentos mistos sobre nossos resultados. — Eu quase tive que ficar séria contra um garoto daquela guilda. Impressionante como alguém tão jovem pode ser tão habilidoso.

          — Ou talvez você só esteja ficando velha — disse Meredith, debochando de Gladys.

          — Não nego que isso talvez seja uma possibilidade. Mas o fato de que eu não consegui ao menos encostar nele, nem mesmo usando Parashu até o seu limite. — Ela tocou o cabo do seu machado, o qual mantinha sempre ao seu lado, como se estivesse se lembrando da luta. — Você também teve dificuldades na sua luta, não? — disse, se direcionando a Meredith.

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