Eu preciso de tratamento meu bem.

Começar do início

       O resto da semana foi resumido apenas em duas palavras: Faculdade e ensaios. Eu estava passando em casa apenas pra almoçar, e ficava a tarde inteira e parte da noite com os alunos. Não estava acessando nenhuma rede social e nem tinha tempo pra sair com os amigos, até o meu sábado eu doei em prol do meu concerto.

     E quando finalmente chegou o domingo eu dei graças a Deus por poder dormir até tarde. Levantei-me por volta das nove e meia, tomei café com meus pais e minha irmã e fui jogar futebol com Bernardo e Vítor lá no Society.

-Quem é vivo sempre aparece. - Disse Vítor quando me viu chegando.

-Nem me fale. Minha semana foi uma droga, nem estou acreditando que hoje é domingo. Estou tão atolado de coisas, vou precisar dá ajuda de vocês logo logo. -Respondo.

- Falando em ajuda, sabia que o Rodrigo foi aprovado? – Vítor fala olhando pra mim e Bernardo.

-Já? Tão rápido? –Bernardo questiona.

-Acho que está meio tarde, ele já até beijou a fulana lá. -Falo me queimando de ódio e me referindo a Mabi .

-Beijou, mas não tirou a limpo sua mentirinha né? Você e a Mabi vão se entender cara–Vítor joga na minha cara de novo o fato de eu ter sido um babaca.

-Digamos que ele não mentiu, ele apenas enfeitou a historia.- Comenta Bernardo fazendo todo mundo rir. – Olha só quem vem chegando ali. -Bernardo aponta e olhamos na direção onde vem o tal Alberto suposto ex primo de Mabi. –Não gosto desse cara.

-Não é só você eu também o detesto. - Comento.

-Quem é esse mesmo?- Vítor tenta se situar na conversa.

-É um ex ficante da Mabi, a mãe dela quer que ela o namore. Olha só como ele é desengonçado, e metido. Sou muito mais eu. - Falo rabugento.

-Também sou mais você maninho. –Bernardo me apoia.

-Vamos jogar antes que comecemos a enumerar todos os motivos de odiarmos todos os paqueras da Mabi. - Vítor conclui e partimos os três para o campo.

      Eu, Vítor e Bernardo sempre ficávamos no mesmo time, jogávamos aqui desde que tínhamos treze anos e nunca perdia a graça. Hoje por ironia do destino o tal Alberto tinha vindo jogar no mesmo campo, ele estava compondo o time adversário, e olha só que engraçado até nas partidas a gente não se bate. O primeiro tempo passou bem rápido, o placar estava favorável pra minha equipe, 2X0 e eu tinha certeza que íamos ganhar.

      O segundo tempo começou e eu estava sob posse da bola e encaminhava-a para o gol até que o mala do Alberto resolveu me marcar, quanto mais eu corria, mais ele me acompanhava. Em poucos instantes ele já tentava tomar a bola de meus pés, e já me corroía de raiva, então aumentei o pique e pensei estar na frente, mas ai o Alberto me passou uma entrada violenta e cai de cara no gramado. Ouvir o juiz apitar e dizer algumas coisas, e percebi que alguns outros jogadores corriam pra ver o que tinha acontecido, tentei me levantar, mas minha perna esquerda não tinha força, ignorei o barulho as perguntas e as pessoas ao meu redor, só conseguia pensar em uma coisa :''dor''.

-Você fez de propósito.- Bernardo esbraveja segurando Alberto pela gola.

-Bernardo, acho que o Henrique precisa ir ao hospital ele está sentindo dor na perna esquerda. -Vítor tentava ser racional enquanto o juiz e Bernardo discutiam com o Alberto.

-Eu espero muito que o Henrique fique bem porque se não, eu não vou querer estar na sua pele. -Bernardo conclui.

      E ele e Vítor me carregam até o carro do pai de Bernardo, eu já falei o quanto odeio ser carregado? Sinto-me tão fraco, impotente, sem força da mesma maneira que me sentia quando Rodrigo me batia. Fico estirado no banco de trás sentado em um banco e com a perna estirada no outro, fico olhando meu joelho que está inchando e com alguns arranhões e sangrando um pouco, como as coisas podem mudar tão rápido? Há alguns minutos atrás eu estava me divertindo com os amigos, e agora estou indo a caminho de um hospital consumido por uma dor na perna. Será que quebrei alguma coisa?

Ao som das batidas do seu coração .Leia esta história GRATUITAMENTE!