Capítulo 34 - Viver E Deixar Morrer

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Parei

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Parei.

Parei depois de muito tempo. Talvez eu tenha parado depois de algum tempo que me pareceu muito tempo.

O tempo era um detalhe irrelevante naquele momento.

Já pensou na relevância do tempo?

Ele é pouco importante se você não está esperando algo. Ele é desnecessário se você somente deseja viver. Você pode viver sem o tempo.

Mas ele é caro para quem está morrendo. Para quem está morrendo e ainda quer continuar a viver, cada segundo que passa aumenta a secura da garganta e o frio da alma.

Um segundo pode fazer muita diferença e muita coisa pode acontecer em seus pequeninos pedaços.

O Cigano olhou-me nos olhos.

— Por que parou,  Iago? Está tão bonito. Podemos fazer uma festa cigana aqui enquanto ouvimos sua música!

Depois daquele dia, o Cigano nunca mais me chamou de Jeff. Somente Iago. Talvez eu significasse algo a mais para ele. Talvez algum Iago já tenha feito parte da história do Cigano. Estranho como usamos pessoas para compor nossa história particular, mesmo sem o consentimento delas.

Os dias se seguiam enquanto eu alternava canções com abraços no Barão,  outras canções e outros abraços nos awhellas, que apesar de enormes eram muito carinhosos.

Mas em meio a isso tudo, algo me lembrava da morte. Do sangue. O sangue não me deixava esquecer. A morte não me abandonava. O sangue era um livro aberto e eu lia seus trechos que falavam da vida e da morte.

Coloquei a mão no bolso e encontrei um papel dobrado. Era o poema que eu havia dobrado e guardado. Tinha feito isso pouco antes dos rapazes aparecerem e me atacarem.

Ser a última rosa do verão é uma sina triste.
Muito triste.
Fadado a ver seus amigos e amores morrendo, tendo a solidão como agouro.
Se eu fosse o autor do poema,  mataria a última rosa e a pouparia de tal dor.

Acho que o autor quis dizer isto quando escreveu "já que seus amados estão dormindo, vá dormir também".

Foi neste momento em que eu fiz a música Last Rose,  a qual você possivelmente já ouviu, cantada por algum músico numa das ruas de uma cidade grande como Jericó.

Então eu vi muitas pessoas e animais reunidos em um ponto do jardim de Shangri-lá.

Todos em silêncio.

Me aproximei e vi no meio de todos um awhella negro deitado. Morrendo.

Devolvi o violão do Cigano.

— O que há com ele? — perguntei.

Uma moça saiu de dentre as muitas pessoas e me me disse que o animal chegou ao seu momento de descanso.

Todos estavam tristes. Eu também fiquei. Mas eu sei que a vida morre. Todos os vivos morrem. Até coisas que não estão vivas morrem. Até uma cidade morre.

E então, durante aqueles fragmentos de segundo, eu mudei de foco. A moça era linda. Muito linda. Seus cabelos eram lindos. Seus olhos eram lindos.

E os meus segundos desejaram viver. Então eu os senti passando pelo meu sangue. Eu queria viver.

Viver e deixar morrer.

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Jeff mais leve que o arOnde as histórias ganham vida. Descobre agora