No dia 10 de agosto, finalmente, eles chegaram ao Rio de Janeiro. Estavam exaustos. No entanto, meu pai estava feliz por ter seu primogênito, enfim, conosco.

Felipe, assim como Letícia, era muito bonito, cabelos castanhos, olhos amendoados. E alto, em torno de 1,90 cm – para alguém com os meus míseros 1,65 cm, isso é ser imenso. Apesar da dor da perda, ele reagiu bem à nova vida que estava sendo obrigado a começar. Mas deve ter sido estranho para ele, com seus quase 18 anos, viver numa casa com duas adolescentes, ainda mais na fase em que a gente estava, de descobrir nossos limites, descobrir os garotos, suspirar por eles o dia todo, passar horas – literalmente – nos arrumando para sairmos com o "gatinho" da escola. Para nós também foi estranho, porque tínhamos uma rotina de "menina" quando nosso pai não estava em casa. Quantas vezes, nós três andamos pela casa só de calcinha e sutiã, sem nos preocuparmos com nada? Quantas vezes mamãe passava seus cremes coloridos estranhos e ia fazer alguma outra coisa, sem se preocupar se aquilo era meio bizarro? A partir da vinda de Felipe, as coisas começaram a mudar...

E, para mim, as mudanças foram maiores e mais intensas do que o esperado. Gostei muito do fato de meu irmão estar finalmente por perto – achava esquisito não ter ideia de quem o meu irmão era; só sabia qual era a cara dele, mas não quem ele realmente era, o que gostava ou não gostava, o que ouvia... Agora eu teria a chance de conhecê-lo. Só que as coisas não foram exatamente como o esperado.

Laços de famíliaWhere stories live. Discover now