23º

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Eu estava sozinha. Protegi os olhos da claridade da manhã e olhei para o quarto à minha volta. Harry não estava ali. Que estranho. Eu me sentei na cama e olhei para o relógio: já passava das dez. Não era de se espantar que ele não estivesse no quarto.

Eu havia dormido a manhã quase toda. Nesse dia iríamos conversar. Ele iria me
revelar os seus segredos. Na noite passada tivéramos uma transa incrível, mas agora eu precisava de respostas.

Eu me levantei e achei o meu short ao pé da cama. Harry devia ter trazido a roupa ali para cima, porque eu me lembrava de termos deixado tudo jogado na escada na
noite anterior. Vesti o short e olhei em volta à procura da blusa. Dobrada debaixo do
short havia uma das camisetas de Harry, então eu a vesti e desci. Estava pronta para encontrá-lo.

As portas dos quartos da família do outro lado do corredor estavam abertas. Gelei. O que significava isso? Aquelas portas viviam fechadas. Foi então que ouvi as vozes. Andei até o segundo lance de escada e agucei os ouvidos. A voz conhecida do meu pai subiu da sala de estar. Ele tinha voltado.

Dei o primeiro passo e parei. Será que era capaz de encará-lo? Será que ele iria me mandar embora? Será que saberia que eu tinha transado com Harry? Será que Gemma faria a mãe me detestar também? Eu não tinha tempo para refletir sobre tudo isso.

Meu pai pronunciou o meu nome e entendi que precisaria ir lá encarar a situação, fosse ela qual fosse. Eu me forcei a descer cada degrau. Atravessei o hall e, quando
consegui ouvi-los com clareza, parei. Precisava saber em que estava me metendo.

– Não acredito, Harry! Onde você estava com a cabeça? Sabe quem ela é? O que ela significa para esta família?

Era a sua mãe quem estava falando. Apesar de nunca a ter encontrado, tive certeza.

– Você não pode pôr a responsabilidade nela. Ela nem tinha nascido. Você nãofaz ideia do que ela sofreu. Do que ELE a fez sofrer.

Harry estava com raiva.

Comecei a avançar em direção à porta, mas parei. O que eu significava para aquela família? Que papo era aquele?

– Não comece a se comportar como um cavalheiro ofendido. Foi você quem o
encontrou para mim. Sendo assim, por mais que ele a tenha feito sofrer, quem
começou tudo foi você – cuspiu ela. – E aí você vai e transa com ela? Pelo amor de
Deus, Harry! Onde você estava com a cabeça? É igualzinho ao seu pai.

Estendi a mão para me segurar no batente da porta. Não sabia o que iria ouvir em seguida, mas estava ficando sem ar. Pude sentir o pânico invadir o meu peito.

– Mãe, lembre-se de quem é o dono desta casa. – O alerta de Harry foi claro.

Sua mãe deu uma risada alta que pareceu um cacarejo.

– Dá para acreditar? Ele está se virando contra mim por causa de uma menina
que acabou de conhecer. Richard, você tem que fazer alguma coisa!

Silêncio. Então o meu pai pigarreou.

– Anne, esta casa é dele. Não posso forçá-lo a fazer nada. Deveria ter imaginado que isso iria acontecer. Ela é igualzinha à mãe.

– Como assim? – rugiu Anne

Meu pai suspirou.

– Já falamos sobre isso. Eu deixei você porque ela exercia sobre mim uma atração... eu não conseguia me afastar dela.

– EU SEI disso. Não quero ouvir outra vez. Você a desejava tanto que me largou
grávida com um monte de convites de casamento para cancelar.

Love Without Limits |H.S| ✔Leia esta história GRATUITAMENTE!