Personagem #9 - O roubo #3

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Existem duas formas de roubar personagens: de forma escancarada ou de forma velada.

No primeiro caso, usa-se um personagem famoso ou uma personalidade para criar uma fanfic. O enredo nasce a partir de um (ou mais) personagem central. Isso parece simples, mas não é. Um autor deve conhecer a fundo os seus personagens. Então, tenha o cuidado de pesquisar TUDO o que puder saber dessa criatura antes de começar a história. Uma pesquisa fora da hora pode travar a escrita.

Ainda antes de começar, uma escolha importante deve ser muito bem feita: o personagem vai evoluir com a trama ou permanecerá inalterado até o final?

Se ele evoluir, o personagem é apenas um ponto de partida para um enredo e no final ele pode ser muito diferente da pessoa que se quis homenagear. Mas se ele não evoluir, a história nascerá limitada e só será bem-sucedida se o personagem for forte, complexo e interessante o suficiente. Nos dois casos, escolha com cuidado.

Na segunda opção, a sua intenção é que ninguém perceba o roubo. Então, é preciso mudar algumas características dele para que ninguém perceba o seu roubo, começando obviamente pelo nome. Você deve jogar fora tudo o que não for relevante para a trama e ficar com a essência do personagem, a sua alma.

- Pensar no que você pode mudá-lo fisicamente. E no quanto dessas alterações mudaram sua personalidade. Por exemplo, se originalmente ele era baixo e inseguro por isso, ele até pode ser alto, mas alguma outra coisa deve lhe trazer a insegurança.

- Definir o tipo de história que você quer contar e fazer as mudanças psicológicas necessárias.

- Rascunhar o passado do seu personagem. Como era a relação com os pais? Ele tinha irmãos? Como foi a sua experiência escolar? Quais eram seus sonhos? Quais são os seus medos?

Em ambos os casos, a partir do momento que você começou a escrever, o roubo está concretizado e o personagem é seu. Não pesquise ou leia mais sobre ele até, pelo menos, terminar o primeiro esboço. Tente criar em cima do que você roubou tanto no passado quanto no futuro. Mude o que precisa ser mudado sempre pensando no bem do enredo.

Se em determinado momento você perceber que o personagem mudou demais e se afastou do original, ótimo. Aproveite. Minta. Engane todo mundo. Diga que essa foi a sua verdadeira intenção e que nunca copiou ninguém. Isso descaracterizará o roubo.

Na literatura, não é ruim roubar. Mas fingir que não roubou é sempre melhor.


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