08 - Destruídos - Parte Final

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- E você curou todos? - Ruma questiona espantada, ao mesmo tempo que observa todos os feridas em processo de recuperação a sua volta.
- Algo tomou conta de mim. Foi um impulso mais forte do que eu. Ainda to tentando entenderam. - Ruth. - E também não havia muitos ferimentos graves.
- Mas, você tá viva, gata... Da última vez... - Anne começa enquanto tem a mão na testa de uma moça da equipe médica, sentada em um pedaço de rocha, que expõe desconforto na cara. Ruth engole o impacto dessa declaração, mas quando vai responder, é interrompida por Ruma:
- Dessa vez ela quis viver. - Ruth responde a essa suposição com um sorriso quase debochado.
- E ela nem precisou do seu treinamento pra ficar boa, Ruma. - Maika alfineta sentada junto a uma parede.
- Nem do seu, Maika. - Ruma devolve, após entender, com surpresa, o que está posto entre as duas. - Mas, é claro que lhe prepararemos ainda melhor. - Ela busca aliviar o clima.
- Anne menina doida, por que você está colocando as mãos nas testas das pessoas daqui? - A vendedora de carros de Chicago, que tem o poder de curar pessoas, indaga a jovem da Finlândia.
- Eles podem estar com febre, sei lá. - Ela responde, ao ficar ereta e se virar para Ruth.
- Para de bobagem, menina. Febre por causa de um desabamento? Melhor seria checar se eles ainda tem pernas ou se a cabeça não foi muito esmagada. - Ruth repreende.
- Todo mundo tá com pernas? E a cabeça não muito amassada? Tá tudo ok, então, doutor House. - Anne responde a bronca, sendo zombeteira. Como sempre.
- Vou te dar um desconto já que você conseguiu ligar algumas lampadas aqui pra gente. - Ruth.
- Ah, filha... Eu estou indo muito bem no treinamento, não estou, Ruma? - Anne ajudando uma mulher mais velha a se levantar. O sorriso de concordância de Ruma é interrompido pelas luminárias que se apagam.
- Não é culpa minha. Eu acho. - Anne.
- Eu também acho que não. - Ruma com o olhar inquisitivo, escondido pelas trevas que voltaram a se instalar. Isso vem acompanhado de um tremor pesado.
- De novo, não! - Anne amaldiçoa.

***

Alguns poucos minutos atrás, Micaela e Alice caminhavam na floresta, já fora dos túneis. A boliviana está com uma das mãos em cima da barriga.
- Vai ficar tudo bem, Mica.
- Eu tô zonza... Pareço bêbada.
- Você não tem jeito de alguém que já ficou bêbada, mas tão bêbada que nem sabia onde acordou no dia seguinte.
- Isso nunca aconteceu comigo mesmo. Sempre fui a filhinha da mamãe... - Lágrimas se acumulam lentamente nos olhos da garota. - Que saudades dela... Será que vou vê-la de novo?
- Espero que sim. E espero que quando reencontrarmos todos os que amamos, eles estejam bem e seguros. Por isso estamos aqui, treinando e tudo mais. - Micaela para a caminhada e desaba em choro.
- Você já se sentiu tão sem esperança que parece que você já tá morta?
- Sim, Mica. Algumas vezes.

Um clarão preenche o horizonte. Uma onda de energia é acompanhada de um tremor. Uma bomba. Os que caminham na floresta vão ao chão. Um veículo se aproxima no céu. Conforme se aproxima, derruba mais explosivos. Em pânico, alguns dos habitantes
que ainda fugiam para o refúgio, disparam cada um para um lado. Tentam se esconder nos braços da selva.

Do seu locomotivo, Lura assiste os clarões em seu horizonte. Um sorriso de satisfação toma o seu rosto.

Peripátsky está feito.

SETE - Volume I [COMPLETO]Where stories live. Discover now