08 - Destruídos - Parte 4

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  Em meio a escombros de um túnel escuro, Ruma, Anne e Sônia ouvem gemidos e tosses.
- Chegamos para ajudá-los. Acalmem-se. - Ruma anuncia.
- Às vezes ainda me pergunto se estou em um sonho ou algo do tipo. - Anne comenta quase que rindo da situação toda.
- Acho que seria mais um pesadelo. - Sônia pontua direta enquanto caminha lentamente atrás das outras duas.
- Não fale assim. Você é uma escolhida e faz parte de uma família enorme que possui um propósito incrível. - Ruma argumenta inspiradora ao passo que procura o local dos feridos.
- Família? - A russa zomba meneando a cabeça.
- Família, cara! - Anne interfere beirando ao sarcasmo.
- Você nem parece finlandesa. - Sônia opina em tom crítico.
- Nossa... Por quê? - A hacker arregala os olhos em curiosidade. A outra das Sete não pode responder, pois uma mão se ergue de um monte de terra à esquerda deles.
- Uma parte de nossa família está ali - Ruma repreende Sônia com um simples olhar. A russa mantém a sequidão no comportamento. - Alguns foram mortos quando buscavam vocês. - A auxiliar de Lura toma uma atitude mais agressiva, ao trazer à tona o fato de que Sônia assassinou dois homens dos Destruidores. Os olhos dela se abalam e se tornam fugídios. Ela vai do estado de mármore ao fragilizado em segundos.
- Você tá me acusando? Você sabe, você sabe que não era eu de verdade! - Sônia se aproxima em uma postura ameaçadora em direção à Ruma.
- Você não vai me intimidar. - A instrutora e uma das líderes daquela comunidade local expressa ao enfrentar a russa.
- Ajuda... - A voz fraca vem de onde a mão se ergue dos montes de terra e pedra.
- Caramba, vão brigar até morrer mais gente? Vamos ajudar esses coitados! - Anne se prontifica e toca a mão daquela pessoa que pede por socorro.
- Anne, sou eu... Ruth. - A finlandesa deixa expandir em seu rosto a surpresa e a alegria. - Caramba! Você é uma coroa com tudo em cima mesmo, hein?
- Cala a boca. - Ruth manifesta, fazendo Anne compartilhar um riso de satisfação com as outras duas ali, que já se aproximaram para ajudar.
- Adoro essa vaca. - A hacker se empolga. Sônia ajuda a desfazer aquele desabamento, em silêncio exterior, mas com a alma cheia de barulho.

***

- Olha! Um Peripátsky! - Uma menina de mãos dadas à Olívia aponta no meio da escuridão. Grupos de pessoas caminham ao redor e dividem conversas miúdas como essa.
- Ainda não conheço esse tipo de bicho. - A professora comenta com a garota, enquanto se atenta às redondezas, em busca de segurança coletiva.
- Ah... Ele é bem trapaceiro. Ele se finge de morto para atacar o seu predador. O que o torna um predador também e o seu predador, uma presa.
- Mas que esperta, você! - Olívia ri admirada - Eu adoraria ter você como aluna...
- Minha segunda mãe adorava me ensinar... - A voz da criança embarga - Você acha que ela está viva? - Olívia consegue pensar numa resposta em menos de 10 segundos. Já andou confortando muita gente naquela noite.
- Vamos continuar com fé... Com fé nas Águas, pois eu acho que sim.
- Sim. - A menina respira fundo. - Tomara que as minhas outras mães também estejam bem. Olívia mantém o rosto em tom positivo, mas engole à seco o que parece ser o fato mais provável para a família da menina: a morte.
- Olha o Peripátsky de novo!

O  bichinho parecido com um roedor terrestre e com os nossos gatos domésticos se estatela de barriga no chão à esquerda, em frente a arbustos, fingindo-se de morto.
- Olha ele sendo o predador do predador! - A garota de capuz.
- Mas que fingido!

Lura pode ouvir os seus risos ao longe, enquanto está em um veículo pequeno, redondo e negro na superfície do rio. Tudo está envolvido pelo manto noturno.

- Ativar Plano Peripátsky em 2 círculos de Ragarz - o que para o tempo terrestre é 1 minuto. - A líder fala a um microfone em sua cabine solitária.
- Ativando... Nossa Monte, tens cert...
- Sim. Claro que tenho certeza.

Ela desliga a ligação. E aquele Peripátsky que Olívia e a garota viram no caminho ao refúgio? Ah... Ele já está de pé, com o sangue nos lábios, degustando da carne de sua presa. E a essa cena só a noite assiste. Assim se faz com muita coisa nessa existência. Se a escuridão pudesse falar...

SETE - Volume I [COMPLETO]Where stories live. Discover now