Capítulo Nove

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"O meu quadro virou

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"O meu quadro virou."

Sexta-feira, 15 de junho de 2001

Nem se passaram muitos dias, e a minha vida passou por uma mudança radical. É claro, tudo foi para melhor! Começarei dizendo que me mudei para Aracajú! Não parece loucura? Tudo ocorreu tão rapidamente, que eu mesma custei a acreditar! A partir da segunda-feira (dia 4), eu e meu irmão nos metemos em uma série de coisas. Também pudera; ingressamos em uma fase gloriosa da nossa vida, e isso requisitou-nos medidas impensadas.

Na segunda, eu e meus colegas cantores nos reunimos e discutimos as cláusulas contratuais. Não entrarei em detalhes, pois essa parte não é tão interessante. Basta dizer apenas que as regras da banda são rígidas, o salário é instigante, e a validade, bem... é de um ano! Enquanto estivermos nas estradas, a banda se responsabilizará totalmente por nós, zelando pela nossa segurança, acomodações e alimentações...

O show, em média, dura de uma hora e quarenta, até duas horas e meia, por aí. Não podemos cantar menos do que isso. Se desejarmos, poderemos atingir uma carga horária maior. Vai que a gente se empolgue? (Soube que o Andrei já chegou a fazer um show de quatro horas e meia!) Receberemos um valor equivalente a três salários mínimos, mais um plano de saúde com plano odontológico. Teremos direito a um mês de férias (acaso renovemos o contrato), e desde já assentimos quanto a possibilidade mágica de realizar participações em programas de tevê. Parece que eu tô sonhando, mas é verdade.

A cláusula de número 5.1 foi a mais preocupante, pois fala sobre o dever de usar figurinos criados pela própria estilista da banda, cuja especialidade é fazer peças modernas e finas, porém ousadas. Mas a Alina me confortou, dizendo que isso é comum nas bandas tradicionais. Cantaremos diversos estilos musicais, sendo o foco principal o nosso forró romântico mesclado ao pop rock. Não me recordo de outra cláusula interessante... Passaremos o ano inteiro viajando pelo país, podendo cancelar qualquer participação em casos de emergência. A ideia de poder correr o mundo livremente, cantando, já me deixa encantada!

Contrato lido e assinado, arrumei minha bagagem e fui para Alagoinhas com meu irmão. Naquele dia, o Rick e a Alina ficaram por aqui. Precisei rever o Maicon urgentemente para ter uma boa conversa e garantir que o empréstimo fosse quitado. Quando cheguei no hotel, ele quase chorou de emoção, falando que torcia por meu sucesso há muito tempo e que sabia que eu o alcançaria. Momentos iguais aqueles a gente leva pra vida toda! Arrumei as minhas coisas, me despedi de todo mundo e encarei a fachada do lugar que um dia chamei de lar. Um filme passou pela minha cabeça. Recordei-me de todas as situações precárias que vivi ao longo dos meses, e sorri... O meu quadro virou!

Meu irmão tinha ido em casa apanhar suas malas. Me encontrou no ponto de ônibus e falou que o papai estava desamparado. Não fui para casa, pois não desejava revê-lo. Chorei muito de remorso. Mas depois de tudo o que passei e sofri por causa dele, não posso reencontrá-lo tão cedo.

O Canto da ValquíriaLeia esta história GRATUITAMENTE!