Capítulo 30 - Shangri-la, parte 2

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Um passo atrás do outro

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Um passo atrás do outro. Um ritmo. Bastava seguir o ritmo.

Os meus passos, os passos do Cigano, os passos do Barão.

— O que há com você,  Jeff Iago? Você me parece preocupado com algo — disse-me o Cigano.
— É que a pintura me incomoda. Ela era negra e a terra se movia sob meus pés.
— Mas a terra sempre se move,  jovem Iago. Nós é que não nos damos conta disso.
— Além disso, o Barão estava com medo muito medo e bateram forte nele.
— Quem bateu nele, Iago?
— Os bandidos de Lagoa Prateada.
— Quem são estes bandidos, Jeff Iago?
— São os que raptaram a moça, logo depois da ponte do Baroch.
— Eles lhe incomodaram?
— Eles não quiseram o dinheiro do resgate.
— Você pediu para pararem?
— Não, eu não pedi.
— Deveria ter pedido, Jeff Iago. As pessoas as vezes atendem a pedidos.  
— Eu os pintei de vermelho. Não quero mais falar sobre isso. Cante sua música e me deixe em paz.

"Me deixe em paz, em meu ritmo. Um passo após o outro".

Os meus, os  do Cigano e os do Barão.

Continuamos a subir a montanha e chegamos a um lugar onde se poderia acampar, se tivéssemos barracas. Sentado no chão e encostado na parede da montanha estava o esqueleto. Um pouco de terra e barro tinha se deslocado da parte mais alta da montanha e caído em seu colo. Era um morto metade enterrado pela natureza mas que também nos dava boas vindas à montanha. 

— Acho que o fim deste peregrino aí não foi tão ruim. Veja que paisagem! — exclamou o Cigano — E mesmo que seu fantasma fique flutuando por aqui, acho que não é de todo ruim.
— Você acredita em fantasmas? Eu não sei nada a respeito deles.
— Meu pai me falava pra ficar longe de hotéis. E contava sobre um hotel no meio do nada onde seus hóspedes eram fantasmas. Pessoas que comeram a própria carne e se embriagaram no próprio sangue enquanto achavam o lugar tão lindo e agradável . Depois quiseram ir embora mas não conseguiram. São hóspedes fantasmas eternamente no mesmo lugar. Consegue imaginar que inferno é este para um Cigano?

Continuamos a subida e o o caminho era por um corte oblíquo na parede de rocha. Entramos em um um nevoeiro, começamos a descer com maior inclinação. Até que o Cigano encontrou alguns edelvais.

— Olhe Jeff Iago, isto é um primeiro sinal! Um sinal de que seremos bem recebidos!

Pude ver que o Cigano estava com suas energias restauradas e decidido a prosseguir

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Pude ver que o Cigano estava com suas energias restauradas e decidido a prosseguir. Mas logo encaramos um trecho muito íngreme de subida que exigiu muito esforço. Mais uma vez, o ritmo dos passos e o arrastar dos segundos. Até que chegamos a um ponto onde o solo se aplainou e saímos do nevoeiro para uma atmosfera clara e cheia de sol. A nossa frente, a pouca distância, erguia-se o mosteiro. Um espetáculo estranho, quase inacreditável onde um grupo de pavilhões coloridos pendurava-se à encosta da montanha. Caixas aventureiras, com tetos azuis leitosos. Encravadas na rocha. 

— Vamos Jeff, vamos conhecer este lugar tão lindo! Isto se parece muito com um lugar especial que é cantado em algumas de nossas canções ciganas.

Só existia um caminho a seguir e que dava direto numa escadaria de pedras.

Muito degraus de tamanhos perfeitos.

Chegamos a um grande portal em forma de arco e que tinha a estátua de um grande urso pardo de seu lado direito e outra estátua de uma águia em seu lado esquerdo. Logo a frente uma grande porta de madeira envernizada. Entramos por ela em um pavilhão iluminado por muitas velas e com cheiro de flores. E lá no fundo do pavilhão estava um homem de costas, de pé,  olhando para o vazio da parede a sua frente.
Chegamos até ele e eu o observei em silêncio.  Ele estava com os olhos fechados como quem dorme,  só que de pé. Talvez estivesse morto pois não podia ouvir sua respiração.

Barão também observo-o em silêncio.

— Sejam bem vindos a Shangri-lá, nobres amigos — disse outro homem com voz baixa e fina, o qual saiu de trás de uma porta que mal se podia perceber estar ali naquele lugar de aparência mística.

O homem de baixa estatura tinha cabelos longos acinzentados e um olhar que alternava freneticamente entre o distante e o perto. Usava uma túnica branca com um cordão roxo amarrado na cintura. 

— Obrigado — disse o Cigano — Eu imaginei que esta seria a famosa Shangri-lá. Existem mesmo waheelas por aqui? Isto é o que mais me impressionava nas canções que eu ouvia sobre este lugar.
—  A sim temos os adoráveis waheelas por aqui. Vocês logo os verão pelo jardins. Mas não os agradem demais. Acho que o cão de vocês vai se dar bem com eles.
— Excelente! Excelente! — Pulou o Cigano de alegria.
— E agora, se quiserem acompanhar-me, eu lhes mostrarei os seus aposentos. Com certeza hão de querer um banho. Nossa instalação é simples, mas espero que nada lhes falte.

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fim da parte 2/3

fim da parte 2/3

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Jeff mais leve que o arOnde as histórias ganham vida. Descobre agora