Capítulo 27 - O Livro da Suicída

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Ao chegar em casa eu procurei algumas roupas mas todas já estavam muito justas para o meu tamanho.

Então entrei no quarto da minha mãe. Não tinha feito isto desde sua morte.

Senti medo. O quarto cheirava mal depois de tanto tempo fechado. Nele, uma cômoda.
O móvel tinha cinco gavetas. Sobre a cômoda estavam algumas coisas de minha mãe, incluindo o livro preto que ela sempre lia.

Sempre o mesmo livro.

Segurei o livro e tirei a fina camada de pó que estava sobre ele. Li o título LAMURIAS MELANCÓLICAS escrito em letras grandes e douradas em sua capa. Dentro do livro, um galho e flores secas. Joguei no chão os restos do que um dia foi algo bonito e li a página da esquerda. Um poema chocho que falava sobre a alma e a vida, num ritmo torto e mal acabado. Na página seguinte, um poema irlandês escrito em 1805 com título Last rose of summer.

'Tis the last rose of summer,
Left blooming alone;All her lovely companions
Are faded and gone;
No flower of her kindred,
No rosebud is nigh,
To reflect back her blushes,
Or give sigh for sigh.

I'll not leave thee, thou lone one!
To pine on the stem;
Since the lovely are sleeping,
Go, sleep thou with them.
Thus kindly I scatter,
Thy leaves o'er the bed,
Where thy mates of the garden
Lie scentless and dead.

So soon may I follow,
When friendships decay,
And from Love's shining circle
The gems drop away.
When true hearts lie withered,
And fond ones are flown,
Oh! who would inhabit
This bleak world alone? [1]

Este sim tinha ritmo e fazia sentido. Não me pareceu muito bom ser a última rosa do verão, vivendo na solidão sem seus amados. Arranquei a folha, dobrei cinco vezes perfeitas e guardei no bolso.

Abri a última gaveta de cômoda, a que meu pai usava para guardar suas roupas e a saquei para fora do móvel. Levei a gaveta para fora e tranquei novamente aquele quarto.

¶ [1] Tradução : É a última rosa do verão, deixada florescendo sozinho;
Todos os seus adoráveis companheiros desbotaram e desapareceram; nenhuma flor de sua parentela, nenhum botão de rosa próximo, para refletir seu rubor, ou dar suspiros. Eu não vou te deixar sozinha! Para definhar no caule; Já que os amados estão dormindo, vá dormir com eles. Assim, bondosamente, com suas folhas de cama, onde seus companheiros do jardim estão mortos. Logo eu talvez te siga, Quando as amizades decaem, e do círculo brilhante do Amor as gemas caem. Quando os verdadeiros corações estão secos, E os afeiçoados voaram, Oh! Quem iria habitar este mundo sombrio sozinho?

§

Jeff mais leve que o arOnde as histórias ganham vida. Descobre agora