Capítulo IV - Domando a Fera

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 	Nas florestas de Hallellujah havia muitos animais peculiares dentre um leque variado de colorações, tamanhos, hábitos e formas, indo dos mais inofensivos aos mais ferozes e assassinos

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Nas florestas de Hallellujah havia muitos animais peculiares dentre um leque variado de colorações, tamanhos, hábitos e formas, indo dos mais inofensivos aos mais ferozes e assassinos. As Feras estavam classificadas como "Perigo de Classe A" segundo os livros de ciências biológicas, descritos pelos estudiosos da fauna e da flora dos sete reinos como animais fiéis ao bando, porém letais ao ser humano. Quando filhotes nasciam com cerca de oitenta quilos e pelo menos quatro metros de comprimento, ao atingir a idade adulta triplicavam tais medidas, ao menos era o que Lorenai lembrava-se das leituras. Em Asgaha muitas espécies viviam nas Florestas Menör, atacando primordialmente à noite e capturando presas para dividir entre todos os integrantes do bando. Forasteiros que encontraram Feras não tiveram um futuro promissor para enriquecer com detalhes as histórias e relatos científicos, os poucos sobreviventes sofreram perdendo algum membro para os dentes da besta, ou tiveram lesões graves na cabeça.

Lorenai não queria ser mais uma vítima do grande vilão da floresta, então deu o único jeito que achou para fugir da Fera: correu, e como correu por quilômetros e quilômetros escapando do animal gigante.

A Fera que a seguia, para o seu azar - contrariando a maré de boa sorte que parecia abençoá-la após o encontro com as Dríades - aparentava ser da espécie Dehacris, suas características eram muito semelhantes às ilustrações em aquarela dos livros sobre a fauna de Asgaha. Ela, ou ele, pois Lorenai não conseguiu determinar seu sexo no desespero (estando mais interessada em não ser feita de comida), era como um urso de pelo branco, de tamanho descomunal, com costas largas e fortes cobertas por cristas escamosas que cresciam nas costelas, com uma corcunda alta no topo. Os olhos eram cobertos por uma máscara de cristal esverdeado que escondia os brilhos azulados das íris, chegando até parte do longo focinho. Nas juntas das pernas musculosas e ameaçadoras, de onde garras negras e duras saíam das enormes patas de quatro dedos, folhas de cristal puro cresciam, sendo maleáveis ao vento. Da boca preta, dentes amarelados e sujos de sangue cortavam a gengiva roxa rangendo para quem lhe importunasse. Dehacris eram as Feras solitárias e mais perigosas já encontradas em Hallellujah e tinham como habitat as Florestas Menör.

A garota não podia vencer a Fera: era um animal muito rápido, cada passo seu equivalia a quatro de um humano comum, além dos saltos que ele conseguia fazer ao se apoiar nas patas traseiras. "Podia ser pior, a Fera podia voar " pensou, perdendo o fôlego enquanto corria, estava certa - quando atingia a idade adulta, os cristais nas patas podiam crescer de uma hora para a outra e proporcionar pequenos voos ao bichano.

Ela correu, correu muito, e quase tropeçou algumas vezes durante o percurso. A Fera subia pelas árvores, derrubando-as com o seu peso, atrapalhando o caminho de Lorenai. Cada rugido fazia a garota tremer de medo, as garras afiadas, que dilaceravam tudo que atrapalhava o seu trajeto, emitiam um som amedrontador ao rasparem nos galhos e folhas. A garota queria usar a espada e abater a criatura, mas achou perigoso encará-la frente a frente, sem defesas caso o seu ataque não desse certo. Correr ainda era a melhor opção.

Os Guerreiros de Alquemena - A Jornada de LorenaiRead this story for FREE!