Capítulo III - A Coroa de Flores

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 O Sagrado Castelo das Luzes de Asgaha tinha uma goteira peculiar no teto de uma das suas cinco torres de cristal puro e brilhante que o rodeavam

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O Sagrado Castelo das Luzes de Asgaha tinha uma goteira peculiar no teto de uma das suas cinco torres de cristal puro e brilhante que o rodeavam. Durante chuvas repentinas como a que caía naquela noite silenciosa, o gotejar dos pingos de chuva ecoava do alto da torre, mas passava despercebido devido aos outros sons do Castelo. Porém, com o desaparecimento de Lorenai, a princesa do Reino que seria coroada durante o crepúsculo primaveril, os criados, os moradores da Vila Real e todos que viviam nos arredores estavam mórbidos, em clima de luto, deixando as ruelas e os corredores do Castelo vazios. O som da goteira se propagava com a ausência de Lorenai, e Pandros, o Conselheiro, podia ouvi-lo com clareza do primeiro andar da Torre Central, sentado em meio às cadeiras enfileiradas na Sala do Trono.

Os artesãos haviam trabalhado arduamente em conjunto com os principais marceneiros do Reino para fazer os diversos bancos do salão, esculpindo os encostos um a um com formas de flores delicadas e outras belas plantas. Pandros sentava-se na fileira da frente, que era a mais enfeitada, onde arbustos e rosas foram colocados por cima da madeira crua e durante o dia podia-se ver borboletas circulando os arranjos. À noite, a vegetação de enfeite parecia morta, frágil, como se lhe faltasse um sopro de vida. O salão era banhado unicamente por uma tocha tremeluzente de chama amarelada, e pelo brilho fraco do luar que transpassava o grandioso vitral na parede do fundo.

Cobrindo o majestoso trono da Rainha Alquemena, a luz furta-cor que vinha do vitral espalhava-se por todo o altar em que o assento real jazia, contornando-o desde o encosto alto e aveludado até a base dourada e grossa esculpida em ouro puro. O trono não possuía nenhuma característica extremamente chamativa, ou que o deixasse mais belo que os simplórios bancos dispostos no salão, o elemento que lhe dava poder na forma e ostentava a divindade da Rainha era o próprio vitral na parede: o trono parecia nascer das frações mínimas de vidro colorido.

O vitral talvez fosse mais antigo que os outros aposentos do Castelo, os livros não o datavam e quem o construiu era um mistério envolto por lendas e boatos. Diziam que a própria Chimera o fez junto aos deuses, após construir com os humanos o templo subterrâneo do Castelo Real. Nele havia o panteão de Hallellujah observando a criação à sua frente.

Atrás do trono a primeira imagem que se via era a silhueta da Chimera em sua forma bruta - um leão grande, em uma posição imponente, com asas de águia delicadas e erguidas; da face saíam chifres e das costas uma cauda de serpente - e acima dela havia Asgaha, a Mãe Sagrada e Deusa da Luz, com suas quatro asas angelicais e seus cabelos dourados que cobriam todo o corpo, tapando o seu olho esquerdo. Atrás de Asgaha, que se sentava sobre a Chimera com as asas abertas indo de um hemisfério ao outro da parede, estavam os outros seis deuses em sequência: Valahad, a Deusa da Mente, com a serpente em torno do tórax exibindo as presas afiadas, Javahad, o Deus do Fogo, com o corpo formado por chamas que de dentro da armadura o protegia, e asas de fênix flamejantes encolhidas; em seguida vinha Ilihad, o Deus da Água - de face andrógena e corpo bruto, com os cabelos de alga escorrendo pela testa e a cauda de tubarão erguida sobre a cabeça - por trás de suas costas havia a Deusa do Céu, Madhava, surgindo com seu olhar sedutor e cabelos e pernas feitos de nuvens, ela estava ao lado de Sthar a Deusa da Terra que se assemelhava com um misto encantador de plantas, montanhas e relevos. Por último, Kahalos, o Deus do Tempo, exibia as flechas nas pontas das tranças de seus cabelos, erguendo as patas dianteiras de seu corpo que era metade humanoide, e metade de cavalo.

Os Guerreiros de Alquemena - A Jornada de LorenaiRead this story for FREE!