Capítulo II - Fugitiva

107 22 4


Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.


Tudo aconteceu muito rápido.

Primeiro o show de luzes, depois o seu corpo sendo consumido por uma energia que a puxava sem que pudesse ter controle de si mesma para fugir ou gritar. Fora dominada por uma força além da sua compreensão, que a levou para longe, muito longe do Castelo, tacando-a sobre um gramado molhado e pegajoso quando o portal de teletransporte incandescente abriu-se em meio ao nada.

Lorenai sentiu uma forte dor de cabeça, como se tivesse levado dezenas de pancadas com um tacape de madeira, ou caído da janela mais alta da torre. Abriu os olhos dolorosamente, não enxergando um palmo sequer, pois a escuridão a rodeava. Teve um breve pensamento de que podia estar morta, porém, ouvia o som de pássaros e grunhidos animalescos percorrendo os seus arredores. Com os braços esticados ao lado do corpo, esfregou as mãos no chão e sentiu terra e mato entre os vãos dos dedos. Tentou se levantar, mas aparentemente o corpo não respondia aos comandos do cérebro. Esperou o choque passar e se apoiou nos cotovelos ralados, que ardiam ao raspar nas pedrinhas espalhadas na grama, tendo certa dificuldade para permanecer equilibrada com as pernas bambas.

O antes belo e impecável vestido estava arruinado. A barra adornada de rendas estava destruída, rasgada, as ombreiras desajeitadas e a única parte que continuava intacta era a do corpete com as três pepitas de topázio puro. Ela podia sentir que as vestes também estavam imundas, pois pareciam coladas à pele e rançosas como lama endurecida pelo sol. Madeleine a mataria. As criadas enlouqueceriam. Pandros, que fora quem deu o vestido, e todos os envolvidos na coroação e no seu processo de embelezamento para sua ascensão como Rainha de Asgaha teriam um surto. Preferia retornar nua ao Castelo a estar com o vestido naquele estado deprimente.

- Céus... - ela massageou as têmporas, falando mais baixo, pois cada palavra saía acompanhada de fisgadas na cabeça - Como... Deuses, onde eu estou?

Ela girou em torno do próprio eixo, procurando alguma luz - e a encontrou. Lá no alto, além das nuvens, uma esfera prateada cobria as copas de árvores com o seu brilho tênue. As linhas finas de luz penetravam na clareira, transpassando as rochas que se acumulavam no céu quase omitindo a abóbada celeste e clareavam os arredores revelando morcegos e animais de hábitos noturnos escondidos nos cedros altos e em meio às plantas rasteiras. Já era tarde da noite e a lua resplandecia no céu que encerrava o quinto dia do Ciclo da Primavera.

- A COROAÇÃO! EU NÃO FUI COROADA! ESTÁ DE NOITE, PELOS DEUSES! O QUE EU FAÇO DA MINHA VIDA? - Lorenai gritou em um tom de voz alto e agudo o suficiente para espantar os pássaros que se aninhavam nas árvores, surtando toda vez que fitava a luz da lua - ESTOU PERDIDA!

Os últimos fragmentos de memória vívidos na sua mente retornaram em efeito dominó, caindo um atrás do outro. O conjunto de lembranças tornou-se uma visão clara diante dos seus olhos. Viu a si mesma na biblioteca do Castelo, segurando a misteriosa canastra. Depois se lembrou de estar tocando dois cristais escondidos no compartimento do pequeno baú, sumindo no breu infinito que surgiu após tocá-los. Não conseguia encontrar nenhuma espécie de lembrança no vácuo de tempo que houve até acordar, sequer recordava-se em como o seu corpo conseguiu se teletransportar para as florestas, muito menos o caminho. Será que tinha desmaiado? Ou o caminho fora longo? Não achava respostas plausíveis.

Os Guerreiros de Alquemena - A Jornada de LorenaiRead this story for FREE!