Capítulo I - A Manhã da Coroação

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Dentre todos os sete reinos do continente de Hallellujah, Asgaha era o que possuía o céu mais belo desde os primórdios de sua criação

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Dentre todos os sete reinos do continente de Hallellujah, Asgaha era o que possuía o céu mais belo desde os primórdios de sua criação. Sua paleta de cores nascia dos tons mais claros de baunilha, desenvolvendo-se e crescendo em silhuetas, nuvens e formas púrpuras pela imensidão azul-celestial encantada. Ao entardecer, a abóboda celeste que cobria o Reino convertia-se em pinceladas de alaranjado, vermelho e cinza junto ao Sol dourado que chamuscava na linha esverdeada do horizonte. Quando a noite caía, a Lua cristalina dominava o céu enegrecido e as nuvens espalhadas em riscos tênues ficavam ainda mais roxas, movimentando-se com o passar das horas como um delicado móbile pendurado no teto do mundo. No final da madrugada, quando o Sol e a Lua conviviam mutuamente por breves segundos, o céu renascia junto ao amanhecer com aquarelas multicoloridas, intercalando os tons de cores da noite com os do dia, criando uma paisagem mágica e sublime conforme os astros dançavam pela galáxia.

O eterno ciclo da pintura impressionista do céu de Asgaha era o deleite e orgulho do povo do Reino Sagrado. Ver o amanhecer furta-cor era considerado uma bênção diária dos deuses e da Chimera — a divindade que desceu dos céus para construir a humanidade — e dava boa sorte ao observador pelo resto do dia. Já presenciar o anoitecer púrpuro do céu de Asgaha era sinal de bons sonhos por toda noite, sonhos aqueles que poderiam se tornar realidade em sete dias. Realidade, ou uma lenda urbana que se espalhou pelos vilarejos ao longo dos séculos, ninguém poderia afirmar com veemência no nascer do Quinto Dia do Ciclo da Primavera, do Primeiro Ano da Era de Aurora — pois não era possível ver inteiramente o esplêndido céu, já que há muito tempo ele havia sido dominado por centenas de rochas sombrias espalhadas pela superfície azulada.

Um fenômeno já conhecido pelo povo de Asgaha voltara a atormentá-los há alguns Ciclos das Estações: rochas íngremes, negras, vindas de um profundo abismo, além das Florestas Mënor, passaram a se apoderar do divino céu do reino. Outrora, cinco Ciclos antes do Primeiro Ciclo da Era de Aurora, tais formações rochosas surgiram em polos diversos de Asgaha, dispersas como pequenas ilhotas nos céus que cobriam a terra sagrada, o que levou muitas pessoas à loucura e deixou cidades e vilas possuídas pelo medo do desconhecido. Segundo relatos que ainda corriam dentro do reino, ninguém nunca soube o que de fato eram as rochas, e qual de fato era a intenção de quem as enviou para o céu. Sabia-se que o estranho acontecimento cessou quando a sexta Rainha Alquemena sacrificou a si mesma, descendo ao misterioso Abismo e nunca mais retornando de lá. O céu voltou a ser límpido e a exibir a sua paleta de cores magníficas, as rochas voltaram ao abismo, trancando-o e os seres de sombras, que junto com elas surgiram para atormentar o Reino, também regressaram aos seus lares no profundo subterrâneo.

O Reino todo lamentou a perda da Rainha, porém, o povo de Asgaha a louvou pelo seu ato. A salvo das trevas e abençoados com o nascer e o pôr do sol, a felicidade dos cidadãos daquela terra foi contagiante. Nunca mais fora avistada nenhuma interferência sombria em Asgaha e a possibilidade de que aqueles que se foram voltariam, possivelmente ainda mais fortes, nem mesmo foi cogitada.

Os Guerreiros de Alquemena - A Jornada de LorenaiRead this story for FREE!