Enredo #12 - O roubo #1

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Todo escritor começa a sua carreira como um leitor. Espera-se que um leitor voraz apaixonado pelos livros. E quando gostamos muito de alguma coisa tentamos repetir o que deu certo – ou seja copiar. Com os livros não é diferente.

Isso é um processo tão frequente quanto natural. TODOS os escritores fizeram isso. Você vê algo dando tão certo que você acredita que aquilo é o "gabarito". Não é à toa que vemos tantos livros de fantasia que tem enredo tão parecido com O Senhor dos Anéis. Ou tantas fanfics. Ou tantos escritores que tentam reproduzir a escrita de autores clássicos.

Sim, é normal e chegou a hora de assumir que o roubo faz parte da criação. Não da sua criação, de TODA a criação. Nada é completamente original. Tem que passar no mínimo por uma observação do que já existe mesmo quando a nega completamente.

Não há vergonha nesse roubo. E ser consciente sobre as suas escolhas só lhe traz benefícios.

Comecemos com a seguinte pergunta:

- De quem você anda roubando?

- O que você rouba - enredo ou estilo ou personagem?

Se você rouba o personagem, você está escrevendo uma fanfic e a apropriação é explícito, logo não há problemas com o roubo. Falaremos mais sobre o roubo de personagens num próximo capítulo.

Falaremos sobre o roubo do estilo num próximo capítulo.

Nesse capítulo, falaremos do Roubo daquele enredo que você tanto gosta.

O principal problema de utilizar uma estrutura de enredo conhecida é a previsibilidade. Se o leitor souber exatamente o que irá acontecer, ele não mergulhará tão fundo na sua ficção e poderá largar o seu texto antes do final. Por isso, o seu maior desafio é quebrar a mesmice.

Por isso, faremos um exercício sobre uma boa forma de roubar um enredo.

- Resuma o enredo que você quer roubar em grandes eventos. Não pode passar de uma página.

- Estude esses eventos até entender a razão da existência deles – para o protagonista e para a trama. Anote todas essas razões.

- Transforme os eventos específicos em universais. Exemplo: De Harry versus Voldemort, para herói versus vilão.

- Compare a Jornada do Herói (Enredo #4) e aponte onde o enredo escolhido difere.

- Estude essas divergências e anote porque você acha que elas existem. Tudo tem uma razão, ainda que inconsciente.

- Agora que você já entendeu o que faz esse enredo único, só falta perceber onde a sua trama precisa ser diferente. Existe duas grandes chaves para isso: os seus personagens e os clichês.

- Trabalhe os personagens até que eles se tornem complexos e únicos – principalmente o protagonista e o antagonista. O truque é procurar pelas falhas do protagonista e pelas qualidades do antagonista até que essa dupla seja única. Quando isso acontecer, deixe os livre e siga-os. Narre o que acontece.

- Se eles agirem como os personagens do enredo roubado, você precisa trabalhar eles melhor.

- Então, faça um resumo do seu enredo e compare as diferenças da Jornada do Herói e do enredo roubado. Procure por repetições de eventos (como o mocinho salvar a dama indefesa no final). Muito provavelmente essas reincidências serão clichês. Analise as consequências de tirá-las. Se as consequências forem neutras, arranque os clichês.

P.S.: Eu enganei vocês. Esse é um exercício de criação de histórias a partir da comparação de enredos.


           

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