Capítulo 18 - 13 de julho (Pedro)

59 7 0
                                                  

13 de julho de 2016

Meu caro caderno preto,

Que dois dias estes.

Deves pensar que pelas minhas palavras andei a comer raparigas hora sim, hora não. Mas nada disso.... É certo que tive mais duas vezes com a rapariga de Erasmus, mas foi só isso! O que andei a fazer foi estar com o meu irmão.

Arranjei-lhe finalmente o quarto, em que depois de uns arrastar de móveis ficou quase como novo ao fim de uma tarde, e ainda consegui ir com ele ao cinema. Fomos ontem à noite deliciar-nos com o mais recente filme do J.J. Abrams. Pipocas à parte, foi sem dúvida um bom dia. Fez-me sentir relaxado e, sobretudo, com a mente afastada de coisas que me andavam a perturbar...

Os meus pais também aplaudiram o meu dia dedicado ao Marco. Estavam claramente felizes por verem que tinha conseguido fazer os exames sem dificuldades. Claro que ainda faltavam as notas, mas estávamos todos confiantes.

Contudo, depois de te contar este breve resumo do meu dia, não posso deixar de pensar em duas coisas que me têm perturbado o sono. A primeira delas tem a ver com a noite em que encontrei a rapariga de Erasmus. Garanto-te que não tenho nenhum pensamento amoroso com ela, mas esta inquietação deve-se ao facto de que quando a beijei, as aminhas da... (nem acredito que vou escrever este nome), da Sofia, estavam lá e viram. E riram-se as duas, cúmplices do crime por mim cometido. Verdade seja dita, não andava (nem nunca andei, na verdade) com a Sofia, e por isso podes dizer-me que não tinha qualquer motivo para me sentir assim. Mas sentia. E porquê? Porque tinha medo que fossem comentar com ela.

Ai...

Era tão bom se pudéssemos esquecer as pessoas com um simples piscar de olhos.

Mas isso não acontece, e por isso mesmo terei de conseguir perceber que eu e ela nunca poderemos ter nada.

Este meu pensamento leva-me à minha segunda, e na verdade maior, inquietação: a que o Carlos não fala comigo nem com o João há 3 dias. Algo claramente se passa.

Eu liguei-lhe.

O João ligou-lhe.

E nada!

É estranho dele. Não falar connosco. Algo que só aconteceu quando passou pela sua maior perda amorosa... (É melhor afastar este pensamento!!!)

Mas isto para te dizer que irei sair mais o João. Vamos até casa dele, tentar perceber o que se passa. E isto é algo que podes aprender de mim. Preocupo-me bastante com os meus amigos, e é com base nesta experiência, que tenho a certeza de que algo aconteceu. Algo inesperado e bastante mau. Mesmo muito mau...

Pedro

P.S.: Ficas Comigo? (Em Revisão)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora