Capítulo 5 - Não apague o Espírito

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Saber que Benjamin ao menos aceitou visitar nossa filha já é algo que me deixa extremamente feliz. Estou sentindo muita falta da minha pequena. Não vejo a hora de abraçá-la, abraçá-la e abraçá-la durante longos minutos. Quero matar a saudade dela.

Depois que a Bruxa Potter falou que queria falar com o Ben, desliguei na cara dela e apaguei a chamada. Camile aqui, só atrapalharia tudo. Não posso permitir que Benjamin distancie-se, ainda mais agora, que consegui aproximar-me um pouquinho de meu marido. Que Camile pegue sua vassoura e volte, literalmente, voando para o Japão.

— Nossos pais moram muito longe daqui?

— Não, a casa é aqui perto.

— Vai querer tomar café? — Ben ergue as sobrancelhas.

— Tomamos na casa de mamãe. Quero matar a saudade da Sarah. — sorrio ao pensar em minha menina.

— Vamos?

Assinto e deixamos nossos aposentos.

— Vou avisar aos empregados que vamos sair. Pode esperar-me lá fora.

Dirijo-me à cozinha. Olga, Jeff, Amelia e Judith sorriem ao me ver.

— Bom dia, sra. Katherine. Enfrentou a fera? — Jeff sempre soube acalmar os ânimos de alguém. Inevitavelmente, rio de seu comentário.

— É... estou domando-a. — brinco. — Ben e eu não vamos tomar café e, provavelmente, vamos almoçar na casa de mamãe e passar um tempo com a Sarah. Voltamos para o jantar.

— Mande um beijo para a Sarinha, já estou com saudade dela.

— Pode deixar, Olga. Tenha um bom dia.

Saio da casa e encontro Ben no jardim. Ele observa tudo atentamente. Cada planta, cada flor, cada cantinho do nosso lar. Pergunto-me se ele lembrou. Se Benjamin lembrasse eu... ah! Faltam-me palavras para descrever a felicidade que eu iria sentir se ele lembrasse, se ele dissesse que me ama. Talvez, uma das formas de expressar minha felicidade e gratidão a Deus, seria cantar, gritar, pular e correr como nunca, eu iria chorar e gargalhar, pois eu saberia, que Ben ainda me ama, que eu não mais correria o risco dele deixar-me a qualquer momento. Eu seria a pessoa mais feliz do mundo.
No entanto, sei que preciso ter fé e confiar no Deus que eu sirvo. Preciso confiar no meu Aba.

“Alegrem-se sempre. Orem continuamente. Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus. Não apaguem o Espírito.”
I Tessalonicenses 5.16-19

Acho que, quando o apóstolo Paulo escreveu tais palavras ao povo de Tessalônica ele estava no seu ápice de inspiração. São versículos tão simples, mas ao mesmo tempo tão complexos.
Afinal, é difícil alegrarmo-nos sempre.

Quando o mundo está desabando a nossa volta e sucumbimos em uma tristeza profunda, é possível alegrar-se? Paulo garante-nos que sim. Quando ele diz “alegrem-se sempre”, ele quer dizer “por mais que esteja difícil, por mais que esteja doendo, Deus está cuidando de tudo. Deus está cuidando de você. Seja grata. Seja feliz. Confie”.

A oração é a arma mais poderosa de todas. A palavra diz que a oração de um justo pode muito em seus efeitos. Uma oração, feita de forma sincera, pode tocar o coração de Deus e mover o céu. Entretanto, às vezes é demasiado difícil levantar durante a madrugada, dobrar os joelhos diante da cama e orar. Existem vários motivos para isso: sono pesado, exaustão, cansaço, falta de vontade ou o meu preferido: falta de palavras. Encontro-me assim. Minhas orações têm sido regadas a lágrimas e soluços, quase nenhuma palavra. Quem fala é o meu coração e o Espírito Santo intercede por mim, da maneira adequada.

Contrato de Amor: Memórias - Livro 2Onde as histórias ganham vida. Descobre agora