Capítulo 07 - Cinema e tensão

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Eu estava no meu primeiro encontro de verdade, pois os que eu tive antes não dá pra considerar "encontro".

Renato e eu fomos ao balcão onde vende as pipocas e uma moça veio nos atender, mas assim que ela viu a gente de mãos dadas, fez uma cara de repulsa, mas o Renato foi logo falando.

-- Boa noite, quero duas pipocas médias e dois refrigerantes grandes. -- Então ele se aproximou um pouco mais da atendente e disse. -- E se você continuar fazendo essa cara de mal comida, eu vou falar com o seu gerente e você nem vai precisar vir trabalhar amanhã e nem depois, se você me entendeu bem.

A atendente arregalou os olhos e eu comecei a rir, ela se prontificou em fazer o pedido rapidamente enquanto a caixa informava o valor total.

Olhei pra ele e fiquei um tanto surpreso.

-- O que foi aquilo Rê?

-- Aquilo o que? -- Ele olhou pra mim rindo. -- Você tá falando do que eu disse pra atendente?

-- Sim...

-- Foi nada demais, só não gosto de gente nojenta olhando torto pra mim e principalmente pra você.

Ouvir aquilo foi mágico, fui muito cego de perceber o quanto o Renato é incrível.

-- Antes de tudo. -- Ele disse perto dos meu ouvidos. -- O meu tio é um dos sócios daqui e falei pra ele que traria uma pessoa especial pra ele conhecer, e então ele me deu dois convites pra sala 3D.

-- O seu tio sabe que você é...

-- Que sou gay? -- Ele dá um gargalhada baixa. -- Claro que sabe, até meu pai sabe Nick, ele só não gosta que eu espalhe pra Deus e o mundo, por isso eu mantinha um "relacionamento" com a Aretha.

-- Mas se você não está com ela, isso não vai prejudicar o seu pai? -- Lembrei do que ele me disse antes sobre o trabalho do seu pai.

-- Meu pai saiu da empresa ontem, queria te fazer uma surpresa.

"Surpresa? Que surpresa doida é essa?"

Esse jeito misterioso do Renato me deixada cada vez mais atraido por ele.
"Céus Nick, parece que você está se apaixonando!"

Mandei minha consciência ir pro inferno naquele momento.

-- Mas se ele saiu, como vocês vão se manter?

-- Meu tio ofereceu sociedade com ele pra gerenciar outros cinemas que irão abrir em breve.

Isso era ótimo, talvez o Renato não precisasse ir embora pro exterior, e assim poderiamos ficar juntos.

A sessão já estava preste a começar, pegamos a pipoca e fomos para a sala 2, seguimos para um lugar privilegiado, uma cabine especial que tinha espaço somente para quatro pessoas.

Nos acomodamos e o Renato passou seu braço pela minha nuca e encostou sua mão em meu ombro. Desta vez fui eu que tive a iniciativa de beija-lo. Ficamos assim até começar os trailers.
-- Uau! -- Disse ele fazendo um gesto de quem procura recuperar o ar. -- Que beijo maravilhoso, quero mais!

E mais uma vez voltamos a nos beijar, perdendo todos os trailers dos próximos lançamentos no cinema.

E o filme começa... mas pra ser sincero, nem o Renato e nem eu estávamos interessados no filme, queríamos aproveitar aquele momento só nosso.

-- Caramba Nick! -- Disse ele recuperando fôlego novamente. -- Você é demais, eu devia ter ido atrás de você antes.

Apesar de ter ficado com algumas meninas, elas nunca foram de falar o que achavam de mim, era mais pra colocar no face que beijou o "gatinho do terceiro ano". Ouvir aquilo do Renato realmente me deixou animado.

O Garoto da BaladaLeia esta história GRATUITAMENTE!