Capítulo 3 » Bônus Benjamin «

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Tudo está confuso. Katherine deixa tudo confuso. Acordar como se não tivesse vivido nada do que dizem que eu vivi nos últimos seis anos é doloroso.

Lembro-me de ter acordado, papai estava no quarto do hospital, observando-me atentamente. Tão atentamente, que até estranhei. Afinal, nosso relacionamento é, ou era, péssimo.

— Filho... você está bem? — indaga vindo até a cama.

— Estou... o que aconteceu? — pergunto confuso.

— Você e Katherine sofreram um acidente.

— Quem é Katherine? — crispo os olhos. — Devo ter bebido demais. Eu estava em uma festa e peguei essa tal de Katherine?

A expressão facial de meu pai torna-se triste, muito triste.

— Quantos anos você tem?

— Tenho vinte e quatro. — respondo como se fosse óbvio.

— Na verdade, você tem vinte e nove anos.

— O quê? — praticamente, grito.

— Você sofreu um acidente e... acho que perdeu a memória.

— Como? Como eu posso ter esquecido dos últimos seis anos da minha vida? Foram tão ruins assim? — esbravejo.

— Acho que foram os melhores, meu filho. Vou chamar o médico e já volto.

Meu pai sai do quarto e miro o teto. O que aconteceu comigo?

— Olá, sr. Underwood... sou o doutor Carloz. Como se sente?

— Bem.

— Sr. Underwood... lembra-se de algo antes do acidente?

— Não. — murmuro.

O médico e papai deixam o quarto novamente. Após alguns minutos, uma enfermeita, muito bonita, por sinal, coleta um pouco do meu sangue. As horas passam e eu durmo. Acordo com o ranger da porta abrindo-se.

— Sr. Underwood... nós fizemos alguns exames e... o senhor perdeu a memória. Os últimos seis anos da sua vida foram apagados. Talvez, sua memória retorne hoje, amanhã ou... — o médico hesita em continuar. — Talvez ela não retorne. Com licença.

— Como vou falar isso para Katherine? — ouço papai sussurrar consigo mesmo. Ele parece aflito.

— Quem é Katherine, pai?

— Tem certeza que não lembra dela? Loira, olhos claros, muito bonita.

— Está descrevendo a Camile? — minhas sobrancelhas erguem-se.

— Não compare a sua mulher com a Bruxa da Camile. — exalta-se.

Mulher? Eu casei? Como fui capaz de fazer isso?

— Há quanto tempo eu casei?

— Faz cinco anos. Vocês têm uma filha de quatro anos.

— O quê? — olho-o incrédulo.

— Ela chama-se Sarah, como sua mãe.

Os olhos de meu pai tornam-se marejados, assim como os meus.

— Ela estava no carro? Quer dizer, o acidente foi de carro?

— Não. Sarah ficou na sua casa, comigo e com Angelina. E, o acidente foi de carro.

Contrato de Amor: Memórias - Livro 2Onde as histórias ganham vida. Descobre agora