Capítulo 41

18.2K 1.1K 272
                                                  

Com a minha apresentação do TCC ontem, pude finalmente respirar aliviada e sonhar alto, muito alto com a minha nova e primeira graduação. Eu era, oficialmente, a jornalista Clara Batista.

Tive problema em falar em público? Tive.

Mas depois que senti a vontade com meus professores me avaliando, me permiti relaxar e deixar fluir tudo que eu tinha aprendido e colocado no meu trabalho de conclusão. Foi um árduo caminho, mas valeu a pena.

E agora, a minha única preocupação era chegar ao meio dia em Santos e buscar a minha mãe. Não seria a primeira vez da minha mãe em São Paulo, mas queria mostrar a ela um pouco da minha rotina. Onde trabalho, onde estudava e se tivermos tempo, algum ponto histórico ou turístico, como o MASP, o Mercadão e a Biblioteca Mário de Andrade.

Eu estava planejando um dia sem choro com a dona Sara, mas não foi possível porque toda hora ela citava o meu pai, o quanto ele estaria orgulhoso de mim agora, o fato de que ela daria qualquer coisa pra ter ele agora só pra ver a única filha se formar. Falar do meu pai sempre foi fácil porque eu sempre falo dele sorrindo, então minhas lágrimas nunca tinham espaço pra jorrar, mas com a minha mãe falando e já chorando... Era uma missão impossível. No mais a nossa tarde foi como eu tinha planejado. Almoçamos juntas, fizemos compras e só de vista, ela conheceu o Jornal.

- Amanhã você vai conhecer o meu chefe, o Novaes. – falei. – Você vai gostar dele.

- Se minha filha gosta, eu também gosto. – ela respondeu. – E por falar em gostar, o Ricardo vai à sua formatura também, né?

- Sim mãe, mas a senhora vai conhecê-lo daqui a pouco, ele vai jantar com a gente... Ou melhor, vai levar nosso jantar. – já estávamos a caminho de casa para termos um momento de descanso antes que o Ricardo aparecesse.

- Ah bom, pensei que minha vinda até São Paulo seria incompleta, sem conhecer meu genro. – ela me deu um cutucão toda sorridente. – E ainda bem que trouxe a minha camiseta do Corinthians, assim pego autografo dele.

- Aproveitadora. – rimos.

Ao chegarmos ao meu prédio, dei a ideia de passar na Maria Lúcia para darmos um 'oi', minha mãe tinha gostado realmente da Malu e ela poderia ver com seus próprios olhos que ela estava indo bem com as crianças. E no fim, nossa visita foi mais rápida do que eu tinha imaginado porque ela tinha uma consulta marcada com uma terapeuta com as crianças. A Malu ficou super contente com a visita da minha mãe que ficou bem evidente quando tivemos que dar tchau.

- Maria, vai lá. – minha mãe falou. – Amanhã a gente conversa melhor. – um sorriso amigável apareceu no rosto da minha mãe.

- Aliás, posso esperar vocês no churrasco né? – aproveitei para confirmar a presença da Maria e das crianças na minha comemoração de amanhã.

- Sim! – Laura respondeu por ela toda animada e nós despedimos.

Quando chegamos ao meu andar minha mãe estava ansiosa pra saber o estado do meu apartamento, ela pensava que era uma zona, mas caiu do cavalo ao ver que eu era bem organizada, diferente da Clara da adolescência. Ela entrou xeretando tudo, desde a sala até meu quarto, averiguando se não tinha nada faltando em casa, mas quando abriu minha geladeira... Recebi aquele sermão. Deixar minha geladeira lotada de comida era impossível, mas isso não significava que estava "passando fome" ou não me alimentava bem, eu só não fazia uma compra do mês tão exageradamente pra uma pessoa, e tentar explicar isso pra minha mãe era a mesma coisa que nada.

- Ao invés da gente ter ido almoçar fora você deveria ter ido ao mercado, assim eu faria o almoço para nós, como nos velhos tempos. – ela enganchou seu braço no meu ombro e me deu um beijo no rosto. – Agora vou tomar uma ducha e já volto pra gente assistir alguma coisa juntas.

Com a bola toda - em revisãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora