Capítulo 14 - 9 de julho (Sofia)

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9 de julho de 2016

Querido diário,

Sinto-me renovada.

Não apenas emocionalmente, mas também fisicamente. Claro que parte disso se deve ao facto de andar a sair mais de casa e ter voltado à minha corrida matinal. Vê lá tu que ontem até encontrei o rapaz que me amparou a queda quando caí em frente ao Carlos. Confesso-te que não me lembro se te falei dele, tão abstraída que estava na maneira como os olhos do Carlos tinham ido de encontro aos meus naquela noite. Mas a verdade é que estava tão animada ontem com tudo o que tem andado a acontecer, que falar com o amigo dele, foi maravilhoso. Não sei se consegui expressar-me bem – e parte disto se deve ao turbilhão de sentimentos que estou a sentir -, mas falar com o seu amigo desconhecido foi como se me estivesse a aproximar mais da vida do Carlos. Algo que ele, na verdade, quer fazer.

Foi antes de sair para mais uma corrida que me ligou, a convidar para ir à praia hoje com os seus amigos.

Fiquei assustada. Não esperava um convite destes, mas ele argumentava em como queria que eu conhecesse o seu mundo, antes de decidir se quero fazer parte dele...

Ai!!!

Escrever isto faz-me sentir tão parva. Acho que só agora começo a compreender. Isto tudo tem sido tão rápido e parece tão... tão cliché! Não o posso negar. Mas, meu diário, eu andava numa onde de tristeza, há anos! Sentir a maneira como ele me tinha olhado como que me fez perceber as outras coisas boas da vida. Sei que já te disse que sempre houve outros olhares masculinos, mas agora... Agora simplesmente percebi de que estava na altura. Não de ter algo sério. Não de começar a namorar e ter sexo desenfreadamente. Não é isso! Apercebi-me que estava na altura de tentar. Estou no meu último ano da licenciatura, não poderá haver melhor pretexto para querer começar a tentar. A tentar ser feliz.

E foi por isso que, apesar da hesitação, aceitei o convite. Ele vai buscar-me de carro mais os seus amigos a casa das Gémeas (tentarei convencê-las a juntarem-se a mim) e iremos seguir caminho até à praia velha de S. Pedro de Moel.

Irei conhecer os seus compinchas, talvez até saber o nome do rapaz que me amparou a queda (não, ainda não o sei, é uma verdade), e estar com ele, o Carlos. E olhar para ele. Divertir-me com ele, e tentar adivinhar, talvez, como seria a minha vida a seu lado.

Quero tentar, simplesmente isso...

Compreendes-me, não compreendes?

Beijinhos,

Sofia

P.S.: Ficas Comigo? (Em Revisão)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora