Capítulo 39

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Era a minha primeira vez num camarote para assistir um jogo de futebol. Eu estava acostumada com a sala onde os repórteres ficam, no meio da arquibancada com os torcedores, às vezes até no gramado, mas nunca num camarote e não imaginava que esse lugar fosse quase um apartamento de luxo. O camarote era um salão com um bar com dois bartenders, atrás havia o banheiro unissex, três conjuntos de sofá de couro branco, uma bancada com vários banquinhos e duas mesas de quatro lugares. E a varanda, onde estavam os assentos para assistir o jogo. Era realmente classe alta, não só na decoração como também no público, já havia outras pessoas dentro do camarote que davam a pinta de "sou elite aqui, querida". E parando pra pensar... O Ricardo era dessa elite, jogador de futebol no Brasil recebia muito por conta dos patrocinadores, mas o Ricardo nunca teve atitude de superioridade financeira comigo.

Mas esse público de elite não era a minha preocupação. Hoje era um jogo importante, mais que importante, era uma final então a mídia esportiva estava tentando ao máximo conseguir alguma palavrinha do Ricardo e quando entramos no camarote tivemos nosso momento de paz e tranquilidade.

- Quer beber alguma coisa? – Ricardo me perguntou abrindo a porta de vidro que dava para os assentos externos.

- Por enquanto não, obrigada. – nos sentamos e aproveitei a vista. Dava para ver toda a arquibancada do estádio, que estava totalmente lotada e a vista era fantástica. A torcida estava num nível insano da animação e isso só me deixava mais ansiosa para que o jogo começasse.

- Por que agora você está nervosa? – Ricardo tocou minha mão sorrindo, eu estava cutucando minhas unhas sem perceber.

- Ver essa torcida ligou o meu lado ansioso. – respondi parando de cutucar minhas unhas.

- Sei como é... E muito bem. – ele ainda estava sorrindo e apertou minha mão. – Mas acho pior ficar aqui do que no campo, lá eu me desligo... Enquanto aqui eu consigo ouvir os comentários dos torcedores e sem poder fazer nada. – assenti concordando, mas as duas formas me dariam nervoso.

Só faltavam dez minutos para o juiz apitar e começar o jogo e meu celular começa a tocar.

- Ana? – falei atendendo a ligação e olhei para o Ricardo, pedindo licença com os olhos.

- Amiga, onde você está?! – claramente ela estava no gramado para cobrir o jogo, porque o grito da torcida estava mais alto que tudo.

- Camarote. – falei bem alto para que ela pudesse me escutar.

- Clara do céu, eu fiz uma aposta com o Henrique! – ela estava rindo. – Se o Corinthians ganhar nós vamos sair juntos... Em público! – ri da aposta, mas que era bem a cara da Ana.

- Boa sorte então...

- Calma que não falei a parte mais legal, Clara!

- Que é? – olhei para o Ricardo que me deu um olhar de quem se lembrava de algo importante.

- Sairemos juntos, eu e o Henrique, você e o Ricardo! O Ricardo não te falou? – então era isso que ele tinha se lembrado.

- Tudo bem Ana, a gente se encontra depois. – respondi. Seria interessante ter esse encontro duplo, até porque iria conhecer melhor o Henrique e saber se ele era um cara realmente legal com a Ana.

- Mas você nem sabe se o Corinthians vai ganhar.

- Tem que ganhar Ana, agora mais do que nunca! – e gargalhei finalizando a ligação.

- Eu tinha me esquecido de comentar sobre isso. – Ricardo fez uma cara de "sou culpado, me desculpe".

- Tá tudo bem, eu só quero que a Ana se sinta confortável em sair com o Henrique em público e espero que o Henrique fique sempre do lado dela porque ela tem um lado sensível que pode ser afetado pelos comentários negativos que podem fazer sobre ela, ela é toda doida e espontânea mas é só fachada.

Com a bola toda - em revisãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora