Capítulo 24

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— Eu te ajudo com isso. — disse Alice, pegando uma das caixas que eu tirava do táxi.

— Não precisa. — falei.

Precisa sim! — riu — Você está quase caindo com essas caixas aí na mão!


Depois de tudo o que aconteceu finalmente estava voltando a minha antiga casa, o lugar que era meu por direito. Para falar a verdade, nunca me imaginei voltando aqui algum dia, mas, levando em conta que é o lugar onde vivi todos as fases da minha vida — sejam elas boas ou ruins — eu sentia que estava fazendo a coisa certa.
Q

uando Lana foi embora, resolvi me mudar definitivamente. Sentia muita  falta dela, porém sabia que depois de tudo o que disse, ela não voltaria mais. E, embora eu quisesse, não adiantaria ir atrás dela novamente. Precisava seguir em frente de um jeito ou de outro, mesmo que suas lembranças permaneçam sempre comigo.
Alice e Augusto resolveram me ajudar com a mudança, mas por algum motivo, o meu amigo não apareceu.


— Sabe porque o Gus não veio?  —perguntei.

Não faço ideia... — respondeu — Vai ver ele precisou fazer alguma coisa.
— E vocês, se resolveram? — perguntei, enquanto recebia a última caixa que ela tirava do táxi.
— Sim. — respondeu — Decidi que era melhor sermos apenas amigos... não quero magoar o Gus.
— Mas porquê? Depois de tudo que ele te disse eu pensei que...
— Vou embora da Cidade. — contou de repente. — Eu e minha tia vamos nos mudar daqui uma semana.
— Por que vão embora assim? — perguntei surpreso com a notícia — Deveria ter me contado antes!


Ela suspirou e encarou-me com um olhar triste. Percebi que não estava feliz com a repentina decisão.
— As coisas na pousada não vão nada bem... — começou — minha tia quer ir morar em São Paulo, com uma irmã. Ela está pensando em vender a pousada. Temos muitas dívidas e... não está dando mais, Rick.  — suspirou — O pior de tudo é que não sabemos se iremos conseguir pagar todas as dívidas da pensão, a água e a luz acumulada... já não sabemos mais como fazer. Perdão por não ter te contado antes.

Peguei a chave do meu bolso e abri a porta, a casa estava exatamente como a vi da última vez. Solitária e vazia. Peguei todas as sete caixas com meus pertences empilhadas no chão e as carreguei para dentro com a ajuda de Alice.

— Não sei o que te dizer... — digo, convidando-a para sentar ao meu lado no sofá — queria muito poder te ajudar.
— Não se preocupe comigo. Preciso apoiar a minha tia e acho que a melhor forma é aceitando isso. Desde  que meu tio faleceu, minha tia não se sente bem morando aqui.


—  Entendo... mas e a faculdade?

Já consegui uma transferência. — falou, cabisbaixa.
— Olha... — falei, aproximando-me dela — Se você gosta do Gus, vocês irão superar essa distância. Você poderia pedir ajuda pra ele e eu também posso ajudar. Não tenho tanto dinheiro, mas posso economizar do meu salário.
— Você sabe muito bem que não o amo... — disse, os olhos fixos nos meus, fazendo-me ficar desconcertado — E não, eu não quero que se sacrifique por mim.
— Alice, eu...
— Por favor... — disse — não fale nada. Só diga que irá atender meu último pedido.
— Pode dizer. — falei.


Sem que eu tivesse tempo de recuar, ela se aproximou de mim, os olhos castanhos intensos me encarando com lágrimas prestes a cair. Aproximou seu rosto do meu e senti seu hálito quente próximo a mim, para logo em seguida, selar nossos lábios delicadamente e dessa vez, eu não recusei. Beijei-a e a abracei com todas as minhas forças, enquanto suas lágrimas já caíam sem nenhum esforço. Ela precisava daquilo e talvez, eu precisasse também. Entretanto, quando abri os olhos e voltei a encara-la, eu não via mais ela. Meu estômago embrulhou.

Lana?


Ela olhou pra mim com uma expressão indignada e soltou do meu abraço, para só então, eu perceber a burrada que tinha acabado de fazer.

Desculpe-me Alice, por favor.
— Não, está tudo bem — falou, limpando as lágrimas — Eu preciso ir.


Pensei em impedi-la de sair por aquela porta, mas não o fiz. Eu não mandava no meu coração e querendo ou não, Lana ainda permanecia nele.

***

Dias depois...

Em poucos dias, eu pude retomar a rotina na minha casa novamente e posso dizer que sentia falta dela, de verdade. Estar em casa, mesmo que fosse sozinho, fazia-me lembrar da minha família... de como éramos felizes antes de tudo mudar do avesso. Embora eu estivesse mais sozinho do que nunca, eu tentava fazer com que apenas as boas lembranças permaneçam.

Eu não odeio a solidão, aliás, eu até gosto dela. E acho que de alguma forma, todos nós teremos que lidar com ela algum dia.

Mas o que podemos fazer quando nos sentimos perdidos em relação a nós mesmos? Quando não sabemos como continuar, o que acontecerá? O que fazer quando tudo parece incerto, incompreensível? Qual é o sentido das coisas que nos acontece, afinal?

Sim, eu chorei. E posso dizer, não foi pouco. Talvez por tudo que já tivesse passado ou quem sabe por ter meus sentimentos frustrados. Porém, minhas lágrimas fizeram com que me sentisse melhor, lavando minha alma de toda a frustração e angústia que sentia.

Era um domingo chuvoso, aquela casa parecia ainda maior sem a presença de alguém, — mesmo que boa parte do meu tempo eu passasse fora.
Gotículas de água escorriam pela janela de vidro embaçada do meu quarto, eu as observava entre um verso e outro da poesia a qual escrevia. Comecei a rever todas as poesias que havia escrevido naquele mesmo caderno. Todas elas, exatamente todas, eram inspiradas na Lana. Ela ainda estava presente em tudo que eu fazia, em tudo que pensava. E, por mais que tentasse esquecê-la, suas lembranças se faziam presentes em minha mente.

Terminava de escrever uma poesia quando meu celular tocou. Agarreio-o por um momento, pensando que fosse ela, mas não era.

Um advogado ligou informando algo que eu nunca imaginaria: Meu pai havia deixado um testamento, e para minha surpresa, nele continham informações de que eu havia herdado boa parte de uma herança que eu sinceramente, desconhecia.

______________

Oi gente!
Eu sei, demorei demais dessa vez, né?
Mas olha, não pensem que esqueci de vocês não em? Aliás, já quero adiantar uma coisinha: Os capítulos finais já estão sendo escritos e espero de coração que gostem💙💙💙

Ah, não esquece de deixar uma estrelinha e sua opinião, crítica, qualquer coisa, lembre-se que toda opinião é bem válida e eu vou amar saber o que vocês estão achando!
Um grande beijo e até logo! ❤😘

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