Uma conversa pra se lembrar. - Mabi

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Trabalhei a tarde inteira com Júlia no All The Time , e até as 4:30 não havia tido nada de interessante. Servi cafés , bolos, sucos , lavei louça e ainda não estava cansada. Estava começando a achar que esse trabalho era leve demais. Eu tinha começado a varrer o salão quando Jú puxou papo.
- Preciso fazer um trabalho da faculdade , pode me cobrir naquela mesa? - Perguntou ela apontando pra uma mesa em que vinham chegando dois rapazes , ambos de rostos conhecidos. Um era o músico gatinho o outro deveria ser seu amigo.
- Hum não sei , se devo.- Falei me sentindo envergonhada por esbarrar de novo com esse garoto sempre em situações onde estou monstruosamente embaraçada. - Olha a situação do meu cabelo? - Falei dando ênfase ao meu coque bagunçado.
- Continua uma gata, e falando nisso que gatos hein? Não me diga que aquele do violão é o que você me contou ontem. -
- Ele mesmo , o próprio. - Disse me lembrando do interrogatório de Júlia no dia anterior.
- Você vai sim. - Ela me empurrou, batendo com uma bandeja na minha bunda enquanto ria adoidado.
- Ok, ok mais sem expetativas ele nem lembra que eu existo minha amiguinha.-
- Isso é o que você diz. Não acho que isso seja coincidência. É o destino ajudando você a desencalhar , não se esqueça de perguntar o signo dele, junto com o pedido. E o nome , por favor, ah e pergunte se ele tem um primo gato como ele.- Meu Deus ,Júlia era impossível que garota assanhada,acho que por isso eu a amava minha amiga era a pessoa mais alegre que eu conhecia.
- Acho que pra mim já deu. - Falei segurando o riso - e indo atender a mesa dos rapazes.

Cheguei próxima a mesa mais constrangida do que nunca, senti os olhares do músico percorrerem pelo meu corpo e houve um aumento na frequência de despolarização das minhas fibras cardíacas ,aumentando os batimentos do miocárdio, de maneira mais simples, meu coração acelerou pra caramba. Obrigada sistema nervoso periférico autônomo, por mais essa sensação na lista! Agora por favor sistema parassimpático faz meu coração voltar ao normal. Será que ele ta percebendo meu nervosismo ? E as pernas ? Minhas pernas estão parecendo um mulambo, não tenho forças. Preciso me concentrar se não vou ficar vermelha eu estou trabalhando e não posso ficar sentindo retrocesso pelos clientes.

-Boa tarde em que posso ajuda-lós ?- Perguntei soando o mais amigável possível, que sorriso falso esse meu. Quase desmontando e tentando manter o controle.
- Qual é o seu nome?- Dava pra sentir a agitação na voz dele. Meu Deus esse menino leu meus pensamentos. Acredite gatinho, eu também quero saber seu nome.
-Ah é você. - Falei tentando parece amigável. - Esqueci de perguntar seu nome ontem. Me chamo Maria Bianca, mais todo mundo me chama de Mabi.- Falei estendendo a mão para um pequeno aperto. Senti aqueles dedos tocarem minha mão, e me arrepiei toda uau ! Que mão macia ! Já pensou a quantidade de vezes que ele toca com elas naquele violão? Eu queria ser aquele violão . Jesus?! O que eu estou pensando? Tenho que parar de ouvir a Júlia. Tô ficando pervertida que nem ela. Ocultei meu sorriso.
- Meu nome é Henrique, Henrique Arqueniun ao seu dispor , e esse é o meu amigo Bernardo. - Estendi a mão pro Henrique e depis pro seu amigo Bernardo, e ganhei até um beijinho dele na palma da mão, acredita? Esses dois eram umas figuras mesmo. Esse Bernardo parecia ser um tremendo de um galanteador, eu puxei a mão bem rápido quando vi os olhares do Henrique. E propósito que nome lindo hein? Será que tinha algo nesse menino que fosse feio? Foco Mabi, foco, você está aí pra atender pedidos. Mais como podia me concentrar o cara disse que estava ao meu dispor.
- Não sabia que você trabalhava aqui, e olha que a gente vem aqui toda semana. - Diz Henrique me interrogando.
-Comecei hoje, e falando nisso meu expediente acaba daqui a 20 minutos. - Falei apontando pro relógio. - Bom o que vocês vão querer?
- Eu vou querer uma caipirinha- Diz Bernardo com um sorriso travesso.
- E você Henrique ? -Pergunto apressadamente anotando num bloquinho.
- Eu vou querer apenas um suco de maracujá. - Disse ele com aquela voz incrível.
Caminhei em direção a outra mesa pra anotar logo os outros pedidos. Haviam dois caras sentados ambos muito bonitos, mais não consigo explicar a sensação ruim que senti quando cheguei perto deles . Eu hein. Energia ruim. Tentei afastar o pensamento e atende- lós da melhor maneira possível . Afinal eu não queria perder o emprego logo no primeiro dia.
- Boa tarde o que os cavalheiros vão pedir?- Falei simpaticamente.
- Seu número de telefone está no cardápio? - Perguntou o loiro tatuado e bombado minha frente.
- Não está disponível ,desculpe . - Tentei não demonstrar desprezo em minha voz. - O que vão querer que está no cardápio?
- Duas vodkas por favor . Mais tem certeza que você não está no cardápio? - Falou o moreno também tatuado que parecia gostar muito das piadinhas sem graça que ele e o parceiro estavam fazendo.
- Não não estou, vodka né? Ok. - Susurrei sem graça.
Anotei os pedidos , e entrei na cozinha com muita raiva daquelas piadinhas . Comecei a preparar os pedidos. E vi Amber se aproximar de mim.
- O que houve meu bem? Algum problema?-
- Não, nenhum só estou um pouco cansada - mostrei um sorrisinho curto , era óbvio que eu não ia reclamar daqueles caras . Aquilo seria fraquejar na primeira dificuldade . E eu não faria isso . Pra minha sorte so faltavam 10 minutos pra eu ir embora. Aí iria apenas relaxar e dormir. Peguei os pedidos e as comandas entreguei primeiro a de Henrique e seu amigo ,e depois os dos dois panacas que ficaram assoviando e piscando pra mim.
Quando vi que ambas as mesas já haviam sido desocupadas e o dinheiro já havia sido colocado dentro da comanda, caminhei em direção a elas e retirei os copos , levei tudo pra cozinha e desatei o nó do avental.
- Vamos ?-Disse olhando pra Jú que estava na pia. E retirava o avental.
- Espero que tenham tido um bom dia de trabalho. -Disse Amber. - O pagamento é a cada quinzena.
- Foi ótimo - Disse Jú tirando palavras de minha boca . Tinha realmente sido tranquilo , em exceção daqueles malas que eu tinha atendido. Saímos da cozinha e caminhávamos no salão.
- E ai como foi com o seu sonho de consumo?- Falou ela piscando o olho.
- Quem o Henrique? - Perguntei pra saber se era a ele que ela se referia.
- Já sabe o nome dele? Te ensinei certinho.- Fala ela com altas gargalhadas.
- Não foi nada demais. -
- Se não foi nada demais , porque ele permanece ali na mesa, mesmo já tendo fechado a conta? - Pergunta ela me deixando intrigada.
Henrique permanecia sentado todo lindo, com a mochila do violão pendurada nas costas. Seu amigo pelo visto tinha ido embora. Quando viu que eu estava me aproximando foi se levantando e caminhando em minha direção. Senti minhas pernas tremerem e a respiração ficar bugada de novo. Meu Deus antes de eu tentar controlar a pressão de um paciente eu preciso aprender a controlar a minha. Por favor alguém trás um medidor, que a minha pressão está descontrolada. Quer dizer meu corpo todo está.
- Eu queria saber se você ia pra casa sozinha essa hora. Rapidinho vai anoitecer. - Disse ele fazendo aquela cara de rapaz gentil que salva o mundo e as donzelas indefesas do planeta.
- Não vou sozinha ,vou com a Jú. - Falei sorrindo enquanto olhava pra minha amiga pedindo uma confirmação.
- Mabi , desculpa eu não vou poder te acompanhar , eu tenho que passar na casa da Sophia pra resolver umas coisas sobre a faculdade . Você sabe faculdade em primeiro lugar né ? E sinceramente não gosto de você andando sozinha por aí. Faz poucos dias que você chegou , tenho medo que você se perca. - Falou ela me lançando um olhar que diz " sei que quer me matar mais depois vai me agradecer. - Bom ,vou indo . Tchaulzinho. - Saiu Júlia me deixando com um par de olhos azuis que queriam uma resposta.
- Posso te acompanhar ?- Perguntou ele com uma sorriso de arrasar quarteirão. Ave Maria eu estava ficando diabética só com a doçura deste homem.
- Claro. - Caminhamos juntos em direção a porta.
Eu não tinha motivos pra dizer não, meu apartamento era pertinho e íamos caminhando ate lá,o Henrique só queria ser gentil , como sempre.
-Bom Henrique o que você faz da vida?- Perguntei querendo quebrar o gelo.
- Faço faculdade de música , como você já sabe , e as vezes toco no seu estabelecimento de trabalho.-
-Sério? Não brinca. - Falei surpresa. Esse mundo era mesmo pequeno. Isso quer dizer que nos esbarraríamos muito.
- É sério. Mabi, você não é daqui né? - Pelo visto era minha vez de ser bombardeada por perguntas. - Não é comum das pessoas daqui se perderem dentro de uma faculdade pública, principalmente uma tão popular quanto a nossa, onde a maioria do pessoal se conhece . -
- Eu nunca morei na cidade, morei em uma Fazenda em toda infância e adolescência. Meus pais são fazendeiros , eu estudei lá o ensino fundamental e médio. A propriedade dos meus pais é apenas alguns quilômetros daqui, umas três horas de viajem dependendo da velocidade- Comentei enquanto caminhava e olhava para os meus pés.
- Nossa. - Foi tudo que ele disse.
- Como assim nossa? - Perguntei intrigada.
- Estudou a vida toda lá, e faz um dos cursos mais concorridos da cidade. Você deve ser realmente inteligente. - Droga comecei a ficar vermelha.
- Não precisa ficar vermelha. E se parassemos pra tomar um sorvete? - Henrique para de frente a uma sorveteria que está acabando de abrir e fica me olhando com uma sobrancelha levantada enquanto espera minha resposta.
Vamos Mabi é só um sorvete o que custa?
- Tudo bem, mais não vamos demorar- respondo , seguindo ele até uma mesa. Eu pedi um sorvete de chocomenta , e ele um napolitano.
- Quem em sã consciência gosta de chocomenta? - Diz ele fazendo pouco do meu sabor.
- É uma delícia. Pode ter certeza. - Digo sentindo o frescor gelado me invadir.
- Duvido. - Ele rebate -
- Quer ver? - Falo querendo vencer o desafio. Enfio a colher na taça pego uma grande quantidade de sorvete e direciono na boca do Henrique , no começo ele pareceu surpreso mais abre a boca e engole o sorvete. Fico vermelha depois que percebo o que fiz , mais aí é tarde demais, e eu ele já disparamos na risada .
- Digamos que não é tão ruim. - Fala ele com ironia.
- E não é. - Tento ignorar seus olhos azuis me fitando .-
-Porque você fica vermelha por tudo?- Pergunta ele me deixando ainda mais vermelha.
- Eu não fico vermelha .- Cara eu queria sumir. Esse menino estava me deixando doida. Felizmente sorvete era algo gelado , porque o calor que eu estava sentindo era dos grandes. Acho que se um dia eu precisasse atender o Henrique em algum ambulatório ou hospital, assim que terminasse o serviço eu também precisaria ser atendida, porque meu sistema nervoso ficava danificado toda vez que eu o via . Quem sabe eu precisasse de uma dose de soro cim vitaminas pra recuperar a força das minhas pernas toda vez que ele falava.
- Agora mesmo você está parecendo um pimentão. Não que pimentão seja um tempero ruim, pelo contrário eu adoro pimentão. - Solta um suspiro , e ri de novo. Nossa noite estava se resumindo a sorvete , risadas , eu passando mal , e agora há temperos. Preciso mudar de assunto.
- Você tem irmãos ?- Pergunto sem ideias. -
- Uma irmã , Fernanda o nome dela. Ela faz Medicina veterinária. E você tem irmãos ?-
-Não, sou filha única.- Respondo sem saber qual seria o próximo tópico.
- O que você vai fazer amanhã? A noite ?- Questiona Henrique sem a menor cerimônia , acho que ele ia me convidar pra sair. Droga! Amanhã é a tal calourada . Não acredito que vou deixar de sair com um tremendo gato , pra ir pra uma festa onde não conheço ninguém. Poxa mais eu marquei com meus dois novos colegas.
- Vou pra minha calourada. - Respondo sentindo uma pontada no coração .
- Hum, calourada nessas festas rolam de tudo.- Solta um sorrisinho cafajeste. Fiquei pensando o que ele teria feito na calourada dele. Henrique tinha cara de ser príncipe mais tinha certeza que quando queria também era lobo mal. - Onde vai ser?- Ele pergunta.
- Num clube com piscina , no AquaPark acho que é esse o nome. -
- Ah ok.- Espera é só isso? Ele não vai me perguntar se estou disponível depois de amanhã , ou no final de semana? Poxa Henrique não sabia que você queria excluisividade só pra amanhã. Estou decepcionada. Terminei meu sorvete e perguntei se podiamos ir.
- Vamos? - Fiz sinal mostrando que meu sorvete havia acabado.
- Pode ser-. Ele se levantou e pagou a conta.
Caminhamos o resto do trajeto falando sobre a faculdade e filmes. Chegamos de frente a meu apartamento e eu fiquei tristinha por morar tão perto. Tinha tanta coisa sobre ele que eu queria saber . Caminhei ate a porta e acenei com a mão pra o Henrique e antes que eu pudesse entrar ele chamou meu nome.
- Mabi?- Olhei curiosa pra ele,que me analisava como se eu fosse algo de outro mundo.
- Oi?- Falei sem jeito. E então nesse momento achei que eu fosse explodir. O garoto que a poucas horas atrás eu não conhecia , me fez aquela típica pergunta que todo cara interessado faz :
- Você tem namorado?- Deixei meu sorriso transparecer um pouco e respondi:
- Não Henrique, eu não tenho . Estou solteira. E a propósito obrigada pela companhia. Ela é extremamente incrível . - Entrei pra dentro de casa e me sentei no sofá eu precisava me recuperar antes de enfrentar as perguntas de Júlia.
Vamos recapitular os fatos . Eu conheci um cara incrível , sai com um cara incrível , e parece que ele também me acha incrível. Mais pra terminar, eu acho que quero beijar esse cara incrível. Preciso de um banho, preciso esfriar a cabeça e preciso beijar o Henrique.




Ao som das batidas do seu coração .Leia esta história GRATUITAMENTE!