Nós encontramos de novo. - Henrique

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      -Não acredito que vamos voltar pra faculdade hoje a tarde ! -Falou Bernado enquanto caminhávamos em direção a minha casa pra almoçarmos e irmos novamente assistir aula.

   -Não acredito que você vai almoçar lá em casa de novo. Porque você não leva logo uma mala?- Disse enquanto Bernado me olha incrédulo.

     -Achei que você entendesse que minha casa é do outro lado da cidade, e que eu podia me atrasar se fosse até lá, e  olha nem é todo dia que eu frequento sua residência.  Achei que fossemos amigos.- Tenta ele me explicar  que aquilo era mais necessidade do que  frescura.  

       - Quando você se tornou tão dramática moça ? - Falo rindo enquanto meu amigo gesticula como se eu tivesse dito algo que o ofendesse. - Você sabe que ''mi casa es tu casa'', estou apenas brincando.-

       - Ta bom cara eu te perdoou.-Fala ele com a mão no coração.- E a propósito você está com uma cara horrível.- 

      - Obrigada pela parte que me toca. Tô com tanto sono .- Digo após bocejar.

   - O que fez da noite ?  Tenho certeza que passou a noite pensando em mulher. Nossa cuidado pra não dormi  na aula tá ? Preciso de você acordado pra assistir a aula de percepção musical e preparar o seminário . Você sabe que eu não manjo de musica ,minha praia é desenho.

      -Não fiquei pensando em mulher,apenas tive sonhos confusos. -Falei isso  tentando ocultar o fato de ter pensado e ainda sonhado com a mocinha que conheci pela manhã. Ai meu Deus como seria o nome dela ? Luisa, Maria, Carla, Ana? Podia ser qualquer um, eu nunca descobriria, pelo menos não sem perguntar. Resolvi mudar de assunto antes que ele percebesse o que se passava pela minha cabeça.

      -E cara você vai ser um ótimo desenhista artístico, fico triste por você querer abandonar música, mais fico feliz em saber que é pra ir atrás do seu verdadeiro sonho. Aliás, aquela seleção que você fez pro Instituto de Artes já saiu o resultado ?-

     -Não, vai demorar alguns meses , mais sinceramente tô muito ansioso. 

   -Vai dar certo  - Disse a ele . Nos dois sabíamos o quanto ele era bom no que fazia , e o quanto merecia aquela vaga. Eu torcia pelo Bernado porque sem dúvidas ele era como um irmão, o qual eu queria levar comigo pelo resto da vida.

      Seguimos o resto do caminho trocando ofensas  e piadinhas . 
       Ao chegar em casa , tomamos um banho rápido e almoçamos com minha família.  Caminhei até  o meu quarto e peguei meu violão ,  mesmo que não  precisasse na aula eu queria passar um som com os colegas na hora do intervalo , fazia três dias que eu nem se quer tocava nele e já sentia a ausência dele na ponta dos meus dedos. Meu violão era parte de mim, eu era parte dele.
       A tarde se passou lentamente.  Parecia que cada minuto na verdade eram horas e quando finalmente tocou pro intervalo eu parecia um farrapo humano . Minha mente estava cansada, meu corpo pedia descanso. E ainda eram 3 horas. 
      Sentei debaixo  de uma árvore com Bernado e mais dois colegas ,o Carlos  e o Júnior.  Posicionei meu violão nas pernas e lá relaxei um pouco tocando músicas que me passam boas energias. Foram apenas 15 minutos de alegria até voltar pra sala. Recordo - me de ter tocado Legião, Lenini, Nando Reis e mais algumas da MPB, depois voltei pra sala decidido a me manter de olhos abertos até o fim da aula.
     
    - Finalmente acabou !- Grita Bernardo saindo da sala , enfiando seu caderno de  anotações de volta na  mochila .- Sério eu achei que esse dia seria infinito , não vejo a hora de ir pra casa me deitar e... Droga amanhã ainda é quarta!!  Que semana sem fim.  Já sei ,vamos passar no  Al the Time e tomar aquela caipirinha pra retomar os ânimos e aguentar o resto da semana. -
   - Não sei não cara,eu tô realmente acabado.- Falei demonstrando que tudo que eu queria  era ir pra casa e dormi.
    - Vamos cara, eu prometo que você não vai se arrepender. -
    - Ok, mais não vamos demorar . - 
     E mais uma vez eu aceitei uma proposta sem noção do Bernardo, eu já  estava estourando a cota de encrencas que me metia com esse homem. Em poucos minutos estávamos os dois sentados em uma mesa esperando pra sermos atendidos.
     O All The Time era meu lugar favorito de toda cidade, era um ambiente  bonito, tranquilo e de vez em quando eu fazia apresentações lá, Amber a dona, era uma mulher adorável e sempre quando tinha chances me convidava pra tocar lá,  as vantagens era que eu sempre conseguia uma grana extra e o bar sempre lotava.   
      Antes que pudéssemos nos levantar pra chamar o garçom, uma moça de cabelos pretos  e olhos castanhos veio se aproximando, ela era pequena e carregava em uma de suas mãos um bloquinho de anotações.  Ela usava calça Jeans, blusa de mangas e tinha um avental xadrez roxo e branco preso à suas roupas. Seu cabelo médio cacheado estava preso em um coque mal arrumado. E mesmo assim ela estava linda. Ela era a moça que eu ajudei ontem. A garota sem nome, a garota com quem eu sonhei.
      Comecei a sentir minhas mãos suarem ,eu não era muito de ficar alucinado por garotas , mais aquela ali que se encontrava em minha frente tinha mexido comigo.  O jeito desengonçado ,  e  envergonhado dela abalou meu psicológico. Eu queria ter ao menos a oportunidade de falar um pouco mais com ela.  Se antes eu já adorava esse lugar , agora o amava,  Amber realmente tinha acertado na nova funcionária e eu agora mesmo saberia seu  nome.
   - Boa tarde em que posso ajuda -los? - Diz ela com um sorriso no rosto e um bloquinho nas mãos.
   - Qual o seu nome? - Pergunto em um tom meio desesperado, antes de pedir qualquer coisa como aperitivo . Bernado me olha levantando uma das sobrancelhas   sem entender que tipo de pergunta é aquela , e a futura enfermeira  me encara sorrindo e percebendo quem eu sou.
    -Ah é você !- diz ela me lançando um olhar  amigável. - Esqueci de perguntar seu nome ontem. Me chamo Maria Bianca , mais todo mundo me chama de Mabi . - Ela me estende a mão como gesto de educação.  Eu aperto e a respondo.
      -Meu nome é Henrique , Henrique Arqueniun ao seu dispor. E esse é Bernardo meu amigo. - Bernardo estende a mão e se atreve a dá um beijinho na mão dela, vejo Mabi ficar vermelha  e puxar a mão rapidamente. - Não sabia  que você trabalhava aqui, e olha que a gente vem aqui toda semana.
      -  Comecei hoje , e falando nisso meu expediente acaba daqui a 20 minutos - fala ela tocando no relógio. - Bom o que vocês vão  querer? -
    - Eu vou querer uma caipirinha -Diz Bernardo  com um sorriso danado.
      - E você Henrique ? - Pergunta Mabi já anotando os pedidos em seu caderninho.
      -Eu vou querer apenas um suco de maracujá- Respondo . Eu preciso acalmar meu ânimos Mabi ,sonhei com você ontem , estou te vendo agora  e preciso me acalmar.  Só conversamos duas vezes e acho que estou muito afim de você.
      Ela saiu de perto da mesa , e caminhou para buscar os pedidos .
     - Não me diga que essa é a gatinha que você mencionou ontem , a que estuda  enfermagem. - Pergunta Bernardo me libertando desses pensamentos insanos. 
    - A própria.- Falo secamente.
    - Então ta explicado,  você ir logo perguntando o nome. Tá interessado?-.
    - Claro que não. - Menti. - Eu só fiquei um pouco curioso.-
     - Então não se importa  se eu pedir o número dela?-  Eu tinha certeza que o Bernardo só queria me provocar . Não tinha dúvidas. Ele não ia pedir o número dela , isso era contra o código de condutas dos marmanjos. Eu não ia assumir que estava afim dela, e ele não ia pedir seu número. Simples assim.
       - Ninguém vai pedir o número dela. E ponto. - Falei fechando a cara.
     - Hum ele se estressou. É isso ta afim dela. -
     - Cala a boca  que lá vem ela. -  Me calei enquanto via a diva dos meus sonhos se aproximando com as bandejas.
    Mabi deixou nossas bebidas e saiu sem dizer nada.  Não posso negar que fiquei triste porque queria conversar um pouco mais com ela, mais eu entendia ela estava em horário de trabalho.
  -  Porque simplesmente você não foi no bloco dela perguntar como ela se chamava?-  Perguntou Bernardo.
      - Sabe que não gosto daquele lado da faculdade. - Falo lembrando - me do passado, quando peguei Milleny minha primeira namorada aos beijos com um garoto do bloco de enfermagem. Era uma noite de sexta  ela ia "pagar " aula  do curso de administração  na faculdade  disse que não queria que eu fosse busca-lá porque viria com uma amiga . Então um dos meus amigos viu ela aos beijos com outro lá no departamento de enfermagem  ,  ele me ligou e eu vim tirar a certeza.  Primeiro achei que fosse brincadeira , depois quando vi me senti arrasado. O pior  de tudo nem foi a traição. O pior foi todo mundo  assistindo  eu dizer milhares de coisas a ela enquanto me lançavam olhares de pena.
       - Achei que já tivesse superado a Milleny , afinal você namorou outra depois dela. A Lavínia.  -
      - Obrigada por me lembrar de outro relacionamento frustrado. - Falo com rancor na voz.
     - Ela não é Milleny e nem Lavínia.- Afirmou ele.
     - Você tem razão.  Eu sou muito besta. - Falo com vergonha. - Bernardo é normal ficar afim de alguém que você nunca falou ou só viu uma vez?-  Bernardo me olha e dá uma baita gargalhada.
     -Há você quer saber se é normal sonhar com uma moça que você não conhece ? - Ele ri de novo.- Cara isso e a coisa mais normal do mundo, uma vez eu me apaixonei por uma garota no supermercado eu passei semanas sonhando com ela . E eu nunca mais a vi-  Meu amigo acaba fazendo uma cara de triste. - Já você meu caro- Ele troca rapidamente a tromba de decepção por um sorriso maquiavélico , eu não conseguia entender as expressões desse cara. -Você pode consumar sua paixão .-
      -Cara que linguajá é esse? Consumar paixão? - Rio alto.- Eu só quero ficar com ela . Nada mais.
     -Se eu fosse você , se apressava a ficar com ela , olha só quem está cantando sua garota ali na outra mesa. -  Aponta Bernardo na direção da mesa que Mabi atende .  Ela está vermelha , e tenta esconder o rosto olhando pra baixo. Na mesa estão sentados Rodrigo e Pablo e pelo que vejo Rodrigo está tentando conseguir ao menos o número dela.  E eu não gosto nenhum pouco da cena.
      Rodrigo não é o tipo de cara que eu indico pra uma garota ficar , tudo que rola entre ele e mulheres se torna público.  Ele é o significado perfeito pra palavra problema. Estudei com ele desde o ensino fundamental , e lembro claramente de quando ele e o  Pablo metiam a surra em mim  no Bernardo e no meu primo . Felizmente eu cresci e não sou mais o garoto magrelo e pequeno que ele batia , agora eu sou homem suficiente pra enfrenta-lo e...
      -Henrique !? - Escuto a voz de Bernardo me chamando para o mundo.- Cara volta pra si. Esquece esse cara.
      -Ele não vai ficar com ela. - Digo com raiva.
      - Não torne isso pessoal ok?- Fala ele tentando me tranquilizar . Sempre que eu via Rodrigo me sentia assim com raiva.
     - Não tornarei. Palavra de escoteiro - Prometi tentando suavizar o clima.
     -Devo me preocupar? Afinal ,você não é escoteiro.- 
     - Pode ficar de Boa.
     Pedimos a conta e para minha tristeza quem veio nos atender foi  outra funcionária , novata também, se chamava  Júlia, muito bonita mais não tanto quanto Mabi.
       Relaxei um pouco quando vi que quem levou os pedidos da mesa do mané lá foi um funcionário. Isso mesmo outro marmanjo haha.
      Já eram 5:00 horas em ponto . Percebi que era o expediente em que trocavam de funcionário  por isso que quem atendeu Rodrigo  foi um homem então permaneci sentado  na mesa mesmo já tendo pagado a conta.
     - O que estamos esperando mesmo?- Pergunta Bernardo  intrigado.
     - Acho que ela vai sair agora. - Falei me levantando enquanto , via Mabi e a tal Júlia tiraram o avental e saírem em direção a porta. - Essa é a nossa deixa vamos?-  Falei sorrindo.
    - Você não presta Henrique! - Meu parceiro de esquema me seguiu .



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