Parte III

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- Acorde! Ande logo, príncipe!

Phillip acorda sobressaltado, sem entender o que está havendo. Seu corpo está cansado de dormir no sofá duro do casebre de Briar Rose e a ferida de suas costas parece estar em chamas.

- A vida no castelo te deixou preguiçoso príncipe, sempre dormindo demais. – Diz Briar Rose, com um sorriso nos lábios. O mais sincero que o príncipe já vira-a esboçar até então.

- Sequer amanheceu, Rose. – Ele diz, sonolento, enquanto se levanta.

Briar Rose apenas ri e segue para a cozinha. Quando o príncipe chega lá, um pedaço de pão junto à uma caneca de chá amargo o aguardam. Ele faz uma careta ao provar o chá.

- É a única coisa que beberá além de água, por dias, príncipe, é melhor que beba tudo. - Obedientemente, ele bebe o chá e come o pão.

Quando chega do lado de fora da casa, vê que sua espada e seu punhal foram polidos e estão aguardando em cima de um tronco. Seu cavalo está sem a sela e comendo grama não muito distante. Briar Rose está colocando, além de sua adaga em seu cinto, uma série de pequenas lanças que parecem folhas finas de árvore em seu cinto. Ela começa a trançar seus cabelos enquanto Phillip fica parado com a sela nas mãos.

- Aonde vai com isso? – Briar Rose pergunta, desconsiderando o olhar fixo do príncipe.

- Colocar no cavalo, onde mais?

- Ele fica.

- Como assim, vamos a pé?

- Aonde vamos não é bom para animais. Vamos caminhar, alteza. – Ela diz, com o deboche já corriqueiro.

O príncipe solta um suspiro indignado e volta a sela para o lugar. Colocando sua espada e punhal no cinto, ele pega sua capa de viagem e a prende em sua roupa.

Os dois partem em silêncio em uma caminhada em ritmo lento. A medida que adentram na floresta, a vegetação vai ficando mais fechada e arbustos e espinhos prendem suas capas a todo instante.

- Sei que não quer me dizer como você tem todas essas informações sobre a rainha e a assassina chamada de Corvo, mas, qual a razão de você morar na Grande Floresta com suas três tias?

Briar Rose olha rapidamente para o príncipe por sobre o ombro e para um instante. Levantando sua mão e indicando que ele faça o mesmo.

Uma cobra de mais de três metros de comprimento cruza à frente deles sem se importar com sua presença. Assim que o longo animal termina de rastejar para longe, Phillip decide que permanecer calado deve ser a melhor opção para percorrer a floresta.

- Elas me acolheram quando precisei. – Diz a jovem, sem indicar a necessidade de silêncio, o que é suficiente para despertar a curiosidade do príncipe.

- Precisou?

- Já faz alguns anos.

- E elas são mesmo, suas tias?

- Porque pergunta?

- Não vejo qualquer familiaridade.

Briar Rose o encara e ele espera que ela avance nele, mas seu olhar é mais intrigante do que isso.

- Não, não são tias de sangue, se é o que pergunta.

Ele assente e eles continuam a caminhar em silêncio. A medida que o sol se ergue no céu, o calor adentra pela mata, apesar da claridade não ousar fazer o mesmo com tanta intensidade.

A história de Briar Rose parece uma charada que não lhe foram dadas todas as dicas para decifrar. E, mesmo tentando compreender, tudo lhe parece por demasiado improvável ao jovem príncipe.

Aurora (COMPLETO)Leia esta história GRATUITAMENTE!