Parte I

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O animal encara com fúria, deixando claro que lutará até o fim por sua vida. O jovem rodeia o animal, cercando-o vez por outra, até conseguir encurrala-lo entre as rochas do penhasco.

O javali dá um urro quando a lâmina do punhal é enterrada em seu pescoço. Após alguns tremores, o animal enfim jaz sem vida aos pés do príncipe.

O som de cascos de cavalo batendo no chão se aproxima e o comandante da guarda é o primeiro a aparecer, seguindo o cavalo do príncipe, que não teve dificuldades em encontrar seu dono, no meio da floresta.

- Fiquei preocupado que teria que levar o javali ao rei e dizer que o animal lutara mais bravamente do que seu filho. – Diz o comandante, rindo do príncipe.

- Talvez você subestime demais meu mentor, comandante. – Diz o príncipe, sorrindo com audácia.

Logo alguns guardas chegam onde os cavaleiros estão e são ordenados a içar e carregar o javali.

- A carne da mesa do rei hoje será regada pelo esforço do príncipe homens, se apressem! – Diz o comandante, enquanto espera que o príncipe retorne do riacho há poucos metros de distância, tentando limpar o excesso de barro e sangue que acumulara em suas roupas e botas.

- Porque veio, comandante? – Pergunta o príncipe, já montando em seu cavalo.

- Seu pai deseja vê-lo.

- E desde quando você é o criado dele? – Pergunta o príncipe, com sarcasmo.

- Às vezes eu tenho vontade de bater-lhe e quebrar esse seu sorriso, alteza. – Diz o comandante, rindo.

- Gostara de vê-lo tentar, comandante. – Responde o príncipe, no mesmo tom de brincadeira.

Assim que o príncipe retorna ao castelo, com a escolta da guarda real, dirige-se ao gabinete do rei.

Vendo sua entrada, o rei lhe dirige a atenção, fazendo com que os demais presentes se calem e rapidamente se retirem do recinto.

- A que devo a honra, meu pai? – Pergunta o príncipe.

- Assuntos urgentes, Phillip. Precisamos manter o reino de Diabase do nosso lado, não queremos entrar em guerra novamente. E, para evitar que algumas alianças sejam rompidas, precisamos renovar nossos laços com Diabase, antes que eles mudem de ideia. O rei de Diabase teme Arcose mais do que a nós e, se forjar aliança pelo medo e, não conosco, teremos dois inimigos poderosos.

- Teme? Por qual razão? – Pergunta o príncipe.

- Dizem que a rainha de Arcose envia assassinos aos reinos que deseja enfraquecer para matar os herdeiros. É tolice, em minha opinião, mas uma história bem alimentada vira facilmente uma lenda. E as pessoas sempre acreditam nas lendas. Além do mais, dizem que seus exércitos aumentaram em demasia nos últimos anos.

- E o que podemos fazer para que Diabase permaneça do nosso lado? Teremos que obriga-los?

- Claro que não, não conseguiremos nada a força. Recebi um mensageiro do rei de Diabase esta manhã, com uma proposta de acordo.

- Devemos aceitar? Estamos assim tão desesperados, meu pai? E nossos outros aliados?

- Phillip, Diabase e Arcose são os reinos mais fortes desta terra, junto ao nosso reino. Se não tivermos um dos dois como aliados de nada nos adianta ter os reinos menores. Você sequer acompanha os ensinamentos de seu mentor, não é mesmo?

O príncipe impaciente respira fundo, tentando não se aborrecer com o pai, já velho pelo desgaste que o trono lhe trazia em tanto tempo de vida. Seu herdeiro homem demorara por demais para vir, sendo agraciado com cinco filhas antes que Phillip enfim fosse concebido e mais uma donzela, quando o príncipe já era criança.

Aurora (COMPLETO)Leia esta história GRATUITAMENTE!