- Então, meu pai, também acredita nas lendas? –Phillip pergunta, com raiva.

- A rainha de Arcose é má, Phillip, não se engane facilmente. Apenas obedeça a seu pai e seu rei.

- Sim, meu rei. – Diz Phillip, a contragosto.

Saindo rancoroso do gabinete do pai, o príncipe segue para seus aposentos, onde extravasa sua raiva na mobília. Não demora, um empregado bate a porta e anuncia a chegada da rainha. "Perfeito, o sermão não terminou", pensa o príncipe.

- Filho, preciso conversar com você.

- Sim, minha mãe. – Diz Phillip, sem se preocupar com o caos que seus aposentos refletem.

- Eu sei que não se sente preparado para governar ou mesmo inclinado a fazer isso. Não quero que pense que não sei. – Phillip faz menção de dizer algo, mas a rainha estende a mão, indicando que ele deve se manter calado. – Apenas quero que saiba que seu pai está doente e, não sei se ele irá durar até que você complete seus vinte e um anos para assumir a coroa, como é de praxe. Espero que entenda o que isso quer dizer e tente ao menos aprender o que puder com ele, enquanto lhe for permitido.

- Está dizendo que devo me preocupar com o tempo que você teria que submeter às vontades de um rei que não completara sequer a maioridade, minha mãe?

A resposta da rainha é uma bofetada em seu rosto, ao qual deixa Phillip imóvel, com o rosto virado e encarando o chão, pelo golpe não esperado.

- Quero que se torne metade do homem que seu pai é. Já será o suficiente para governar bem um reino. – Diz a rainha em tom de quem encerra a conversa, e logo deixa o príncipe sozinho novamente.

***

Alguns dias depois, o príncipe é avisado que o acordo fora feito e, um grande jantar seria dado naquela noite para toda a corte, em celebração à nova aliança.

- Você seguirá com uma escolta até o reino de Diabase, amanhã pela manhã. Será apresentado a sua noiva quando chegar lá. – Diz o rei.

- Porque minha noiva não pode vir até aqui, meu pai?

- Não torne tudo ainda mais difícil Phillip.

Phillip apenas assente contrariado e segue de volta aos festejos. Suas irmãs estão dançando e aproveitando o festejo, com exceção da mais nova delas, Elena. Exatamente a que ele era mais apegado.

- Se nenhum cavalheiro ainda lhe chamou para dançar, permita-me corrigir esse erro. – Ele diz de modo amável, para Elena, que lhe retribui com um sorriso caloroso.

- Toda essa ideia de ter de ser escolhida para poder dançar, é um pouco idiota. – Phillip gargalha com a afirmação da irmã, que mal alcançara seus treze anos, mas já se destacava pela incrível beleza, entre todas as outras, assim como por seu temperamento.

- Espero que ninguém tenha ousado ser tão idiota a ponto de convidá-la, então.

- Não quero dançar, Phillip. Quero beber, mas mamãe ainda não largou do meu pé. Não pode sequer me ver com uma taça na mão.

- Tenho certeza de que você nunca lhe deu razão para tal privação, não é mesmo? – Ele diz, sorrindo.

- De modo algum, meu irmão. – Ela diz com um sorriso debochado. – Dê-me sua taça. – Completa a frase enquanto pega a taça da mão de Phillip.

- Ainda sequer provei do vinho, Elena. – O príncipe reclama, mas sorrindo para irmã. Sempre lhe fazia todas as vontades.

- Melhor que eu lhe diga se está digno de vossa futura majestade. – Phillip apenas ri em resposta.

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