- Certo, meu pai, e o que precisamos fazer? Qual o acordo proposto?

- Adianto que sua mãe é totalmente contra, por mim, já sou velho demais para me preocupar com coisas tão pequenas. O reino em breve será seu e é você quem deve decidir.

A impaciência apenas aumentava e então o príncipe percebe que sua mãe também está no gabinete, o que não era, de modo algum, habitual.

- O rei deseja que você se case com a única filha dele, herdeira do trono de Diabase. – Adianta o rei.

- Antes de responder, meu filho, pense bem no que deseja para si. – Diz a rainha, de modo carinhoso para o filho.

- Ela é bonita, se o for, não vejo porque não. Pensei ser algo muito difícil, pelo discurso eterno que me fez meu pai.

A rainha solta um longo suspiro.

- Mãe, por favor, não me venha com essas histórias de que casamentos arranjados não são bons ou algo assim. Para que servem os casamentos senão para selar acordos?

- Então, está resolvido. Enviarei a resposta. – Diz o rei.

- Você não me respondeu, meu pai.

- O que, Phillip? – O rei fala, demonstrando mais cansaço doo que ausência de paciência.

- Se a princesa é bela, não desejo uma rainha feia. Afinal, terei de fazer filhos nela.

- Phillip! – Repreende a rainha. – Uma rainha não serve apenas para gerar herdeiros e lhe agradar aos olhos!

- Claro, mamãe, quais foram suas outras funções em todo esse tempo que esteve casada além de se preocupar em ter um herdeiro?

- Não fale assim com sua mãe, Phillip. – Repreende o rei.

- Desculpe-me, minha mãe. – Diz o príncipe, automaticamente.

- Você tem de pensar que sua rainha é a pessoa que lhe acompanhará por toda sua vida, meu filho, não apenas...

- Sim, compreendi. E, pelo bem do reino, aceito a princesa, seja ela como for. Poderei manter nossos costumes e ter minha amante, não poderei? – Diz o príncipe, interrompendo sua mãe.

- É impossível conversar com ele, Henrique, e a culpa é toda sua, fazendo-lhe todas as vontades. – Diz a rainha com ar contrariado e saindo do gabinete.

Assim que a rainha deixa os dois a sós o rei volta a falar.

- Você acaba de me custar ao menos uma lua inteira de privação e indisposição com sua mãe, Phillip.

- Como se você não tivesse outras mulheres para isso, meu pai. – Responde o príncipe, indiferente.

- Não é essa a questão, meu filho. O povo sempre tem de gostar do rei e, a rainha é peça chave nisso tudo e em muitas outras coisas. Espero que ouça meu conselho antes que tenha de aprender por si só quando for governar.

- Sim, meu pai. – Diz o príncipe, de modo automático. Não se preocupava com quando fosse reinar. Teria conselheiros e assessores. E, de fato, sempre desejava ter um irmão mais velho ao qual o fardo tivesse recaído. Viver aventuras e uma vida sem preocupações lhe parecia muito mais convidativo do que a enfadonha vida que seu pai levava. "Se ao menos estivéssemos em guerra, tudo seria diferente.", pensa o jovem príncipe.

- Mandarei o mensageiro retornar, para selarmos o acordo.

- Sim, meu pai. Ainda demanda minha presença?

- Não, meu filho, deixe-me tratar dos assuntos que não lhe interessam. Mas, tenho um pedido, não saia mais sem minha permissão ou cavalgue sozinho pela floresta, há rumores de bandidos e assassinos à solta e, enquanto não forem todos para a forca, não quero meu único herdeiro andando sozinho.

Aurora (COMPLETO)Leia esta história GRATUITAMENTE!