Primeiro Capítulo de MoonLight.

Ouvi alguém a tossir, pretendia então continuar por aqueles caminhos sombrios, apenas com as luzes dos telemóveis que todos aparentavam querer mostrar, como se fossem algo ganhar por isso fazerem. A tosse era continua, eu apenas seguia o som dela, observando aquilo que se poderia dizer casais, a partilharem beijos longos e prolongados como se ao redor deles apenas um jardim com maravilhosas flores estivesse. O som que a tosse emitia ficara mais perto, e podia sentir um calor aproximar-se de mim. Inacreditável, mais umas almas pertencentes a uns jovens a fumarem, como se esse ato lhes metesse um rótulo com o significado de integrados. Quando os mirei, podia pressentir o meu corpo e a sua desilusão. Uma pessoa que com este tempo gelado e arrepiador, tinha ficado doente e tossia como libertação da sua dor, não poderia isso ser? Uma pessoa engasgada com um pedaço de bolo, não poderia isso ser? Tinha de ser mais uns adolescentes perdidos em si mesmos por ventura da sociedade? Queria correr dali, mas apenas me afastei sobre um passo apressado, tentado esquecer o que tinha acabado de ver. Ouvira um som diferente, algo que não os beijos, que não a alta música que quase me perfurava o corpo, que não as risadas de quem já tinha bebido demais, aparentava ser música mas contrária à que passava na grande sala, parecia vinda de um instrumento, uma viola....um...um piano, isso mesmo. Facilmente encontrei a origem daquele magnifico som, a entrada. Um rapaz loiro, com uma cor de olhos ainda por definir, que parecia tocar o piano de cor branca com a emoção de um amor perdido. Aproximei-me, temendo uma reacção não muito positiva, ultimamente toda gente evitava a minha presença.

"Diferente."- disse o rapaz para minha surpresa. Enquanto estava a tentar decidir se responderia, ou ficaria no meu silêncio, sou interrompida.

"És diferente, quis isso dizer".- disse ele. Algo tinha de dizer, ou poderia ficar ali, admirando o facto de ele não ter parado ainda de tocar nas teclas, e ao mesmo tempo ser capaz de me observar. "Todos somos, acho."- Digo for fim.

"Não estás a entender. Toda gente neste sítio mantém os seus olhares para os decotes, ou para as drogas mais usuais, têm no tanto na cabeça, que nem reparam que um som vindo de um piano lhes rodeia. Mas tu... "

"Mas eu apenas sou mais atenta, apenas isso."- interrompo-o eu.

"Jamie, o meu nome é Jamie"- disse ele, parando os seus movimentos com os dedos no piano. "Ah, ok"- disse sem muito contacto querer manter.

"Seria uma boa altura para me revelares o teu nome."- Desafiou-me ele.

"Cassandra."- Esclareci eu.

"Sozinha numa festa ou perdida do namorado?"- Perguntou-me ele, no que penso ter sido um tom de brincadeira...

"Definitivamente não les mentes, e não és bom a adivinhar"- Retorqui eu. Porque estava eu ali? Porque estava eu a falar com um tal de Jamie, que apesar de parecer a pessoa mais normal naquela mansão, continuava-me a ser um desconhecido. Devia estar a ter monólogos, e não diálogos com rapazes loiros que provavelmente vêm a estas festas afim de encontrarem alguém para usarem e deitarem fora.

"Portanto isolada das amigas, supostas amigas."- Disse ele, deixando-me irritada.

"Adeus, tenho de ir"- Menti.

"Não tens, mas ok"- Exclamou ele num tom estranho, que me fez um nó na barriga, que suou na minha mente como um "fica". Virei costas, nada adiantaria se ali ficasse, mas a questão de para aonde eu iria começou a formar-se na minha mente como um buraco sem saída. Casa de Banho, exato, para lá me dirigi.

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