Flores e Chocolates

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Então se formos parar para pensar, a vida é completamente engraçada não é? Porque para Eliot era. Enquanto ele pensava nos minutos que havia perdido, lembrava de sua ultima conversa com Arlia. 

 Os dois tinham uma vontade enorme de mudar o mundo, mas com certeza era algo que estava fora de possibilidade. Até o momento Eliot tinha comprado uma caixa de chocolates que estava derretendo dentro do calor insuportável de sua mochila. O presente obviamente era para a menina que ele sempre amara. 

Abriu os olhos depois de muitos segundos e então encarou o céu. O mesmo estava azul e com muitas nuvens. Pensou ter visto uma galinha em uma, mas retirou o pensamento da cabeça. “E se ela não gostar?” – Os pensamentos de Eliot o levavam para lugares que apenas sua imaginação poderia levar. 

Arlia era algo que não saia de sua cabeça. No exato momento ela estava na aula de Física, enquanto ele fora liberado mais cedo. O que dizer? Será que as palavras que ele havia escrito dariam certo? Ou talvez as flores que havia comprado? Obviamente o chocolate já tinha virado uma pasta.

Das duas uma: A) Ela vai amar os três presentes, B) Ela vai me lançar um olhar de “cai fora”, C) Talvez nem perceba a minha presença.

Enquanto pensava em coisas que não queria, Eliot suava bastante. Sua camisa social branca, que fazia parte do uniforme, estava encharcada. Sua cabeça estava doendo bastante e tudo parecia estar rodando.

- Eliot! – Chamou uma menina loirinha. – Eliot!

 Ele demorou um pouco para se virar e encarar a menina que sorria. Ofereceu-lhe um sorriso branco como a neve e bochechas coradas. Ela era muito fofa.

 - Juliet! – Eliot quebrou a linha de pensamentos e sorriu. – Tudo bem? – Forçou um sorriso, obviamente não conseguia pensar em nada mais a não ser Arlia. E claro, o chocolate derretendo. 

 - O que você ta fazendo aqui fora? – Juliet pronunciava as palavras tão rápido que o “Está” parecia mais um “tá”. – Eu fui liberada mais do. – Outra vez o caso da rapidez. “cedo” foi dita tão rápido que se perdeu em meio aos pensamentos de Eliot.

 - Nada de mais. – Respondeu sem convicção. – Estou esperando uma pessoa.

- Não me diga que é Arlia! – Um sorriso preencheu toda a face de Juliet. – Ai meu Eus! – Ela estava muito empolgada e pulando sozinha.

- Para com isso, Juliet! – Eliot ficou mais nervoso, mas não deixou de sorrir. – E não é Eus, é Deus!

- Eu disse Deus! – Respondeu estressada. – Você que é Urdo!

- Desisto. – Colocou a mão na cara e percebeu que Juliet estava correndo em direção ao salão de jogos.

Eliot não sabia, mas iria conversar com duas pessoas antes de encarar Arlia. Cada um iria lhe ensinar algo que faria com que ele arrumasse coragem para falar com Arlia. Obviamente Juliet não havia ensinado nada à ele, ou melhor, não ainda.

Enquanto esperava o relógio virar e dar a hora certa, fechou novamente os olhos. Não tinha nada para fazer. Ainda eram 10:40 e Arlia só sairia da aula 12:40. A ansiedade estava cada vez mais tenebrosa e seu coração bastante disparado. Quando sentiu a brisa bater em seu rosto, lembrou-se do primeiro dia que havia visto Arlia. Ela corria em um campo cheio de Tulipas vermelhas e Gira-sóis. Porque ele estava lá aquele dia? Só Deus saberia dizer. Talvez o destino tivesse feito sua mãe mandar ele comprar Tulipas naquele dia, então teve a chance de conhecer a menina mais linda de sua vida.

Tudo isso aconteceu quando tinham oito anos de idade. Arlia corria pelas flores. Sua pele branca como a neve, os raios de sol batendo em si. O vestidinho branco e o chapéu de palha que ela usava. Ele se lembrava de tudo.

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