Meninas boas vão para o Céu

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Quando abriu os olhos percebeu que algo estava errado. Seu coração estava batendo lentamente e sua mente estava perdida em pensamentos nada interessantes. O chão fazia com que suas costas doessem e o ar frio da tarde estava deixando-a arrepiada.

 - Onde estou? – Suas palavras saíram baixas e calmas, sentiu uma dor alucinante no peito quando as pronunciou e fechou os olhos. As lagrimas começaram a escorrer de seus lindos olhos verdes.

 Não queria se mexer, não queria levantar. A única coisa que queria fazer era ficar deitada. Ela não se lembrava de como havia parado ali. Não sabia que alguém tinha lhe machucado brutalmente e que estava morrendo. Seu coração doce lhe levou para momentos felizes que tinha passado naquele mesmo dia. O toque de Olav, o beijo doce e o sorriso que os dois deram ao dar as mãos e correrem pelo Central Park.

 Andy sentiu um frio nada normal em seu peito. Seus lábios estavam roxos e o corpo estava ficando mais gélido a cada minuto. Quanto tempo já estava deitada ali? Cinco minutos? Dez? Não fazia a mínima idéia.

 - Olav? – Quanta dor aquela menina sentiu ao pronunciar aquele nome? Ela estava chorando mais e mais, mas não parava de dizer o nome “Olav”, queria encontrar o seu amor antes de ir embora. Será que sabia que iria morrer? Será que em algum momento viu que não havia mais jeito?

 A carteira e a bolsa haviam sido levadas, todos os pertences valiosos que tinha estavam longe de si. Talvez naquele momento já tivessem sido trocados por drogas, vai saber. Ela nunca mais iria ver o anel, a pulseira e a foto. Os três itens que fizeram de Andy uma menina feliz.

O Anel

Estava chovendo e fazia muito frio. No rádio a musica “How to save a life”, tocava em alto e bom som. Andy observava pela janela as pessoas passando e sorria. Seus cabelos castanhos balançavam com o vento. Não eram muito cumpridos, mas também não muito curtos. Asian estava na janela com ela, ficava miando e mexendo a patinha, os olhos brilhantes igual a duas bolinhas de gude.

 - Meu querido, Asian, sabe que não pode ficar nessa janela, é perigoso! – Pegou o gatinho no colo e lhe fez carinho na cabeça. – Você é o meu gatinho!

 O colocou no chão e sorriu, foi andando até a sala de estar e se sentou no sofá. Olav estava atrasado, não muito, o exato eram cinco minutos de atraso. Um toque na campainha fez Andy quase pular de susto. Foi até a porta, estava assustada, ansiosa e feliz. Quando chegou na frente da porta a abriu com cuidado e então viu o rosto de Olav. Ele estava vestindo uma camiseta social branca e calça jeans. Ele olhou para ela, contemplou seu lindo rosto e sorriu.

 - Olá. – Disse com um sorriso no rosto. – Você está linda.

Ela corou. Sorriu e fez um sinal para que ele entrasse no apartamento. Os dois se aconchegaram a sala e ficaram se encarando durante um tempo, claro que estavam rindo como duas crianças felizes correndo em um parque.

 - Andy, eu preciso lhe falar uma coisa.

 - Qualquer coisa. – Respondeu rindo. – Eu escuto qualquer coisa de você.

 - Tudo bem.

Andy estava nervosa. Olav tinha ligado dois dias atrás e havia dito que queria lhe falar algo sério. Não disse nada mais e nada menos: “Preciso lhe falar algo sério”, Andy rapidamente marcou em sua casa na quarta-feira, dia que sua mãe iria para o trabalho e só voltaria à noite.

 - Então... – Começou, mas perdeu as palavras. Recompôs-se e continuou. – Sei que só temos dezessete anos, mas não posso esconder isso, eu te amo. – Olav sorriu e Andy também. – Comprei algo para você.

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