Capítulo Três

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"Eu não posso desistir

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"Eu não posso desistir."

Quinta-feira, 10 de maio de 2001

Hoje escreverei rapidamente porque estou atrasada para o trabalho, mas não posso deixar de escrever de forma alguma. Falei na última anotação que o Maicon recebeu uma ligação bem estranha de alguém que queria informações minhas. Fiquei supercuriosa e pensei bastante no assunto. O Cris não soube o que dizer, de modo que nos restou somente raciocinar e tecer algumas teorias. Devo dizer que torci muito para ser o Pereira querendo referências minhas. Infelizmente não foi ele, mas a descoberta de quem foi, o envolve indiretamente... Hoje ligaram de novo, e desta vez quem atendeu fui eu (de gaiata, porque o Danilo se ocupou e pediu que alguém atendesse a recepção, e tomei tal liberdade). Foi uma mulher requisitando informações a meu respeito! Arrepiei-me na hora e falei prontamente que era eu no telefone, deixando a moça sem graça. Nós rimos um pouquinho e então ela viu que não teria como esconder quais eram suas intenções. Apresentou-se como Cátia, secretária particular de Charles Junior (agora pasmem) um empresário musical de Aracajú, que está à procura de uma cantora nova no mercado! Não tive como conter a alegria. Fiquei sem palavras, apenas escutando.

— Ele conheceu a sua voz em uma transmissão ao vivo, da Alagoinhas FM, e entrou em contato para saber da sua disponibilidade.

— Minha disponibilidade?

Fiquei entontecida!

Em resumo, aconteceu o seguinte: o Cris deixou o número do orelhão da nossa rua com o pessoal da rádio, e da mesma forma, eu deixei o telefone daqui do hotel. Dias atrás, o próprio Charles ligou para a rádio e eles deram o número da recepção; o Maicon o atendeu. Por razões desconhecidas, o empresário não se apresentou, mas é certo que ele queria saber mais sobre mim. Então, nessa última ligação, a Cátia me disse que ele gostaria de me conhecer e falar comigo pessoalmente, para, quem sabe, podermos marcar uma reunião.

— Segundo ele, Valquíria, a sua voz é maravilhosa. O cara ficou encantado!

Foi difícil ocultar a felicidade. A Cátia desceu aos detalhes e me falou que a equipe inteira adorou o meu canto. Apesar disso, logo veio o peso da realidade. Recompus a respiração e falei, na maior sinceridade da qual dispunha, que Aracajú estava um pouco longe do meu alcance. Financeiramente falando, é um momento difícil para eu me deslocar. Deixei isso bem claro, e ainda ressaltei que trabalho diariamente como arrumadeira no hotel. Não posso abandonar o Maicon dessa maneira.

— Dá um jeito, moça! — Exclamou Cátia. — É uma oportunidade grande, sabia?

— Eu sei! — Suspirei. — Mas é realmente difícil para mim.

Expliquei que, se dependesse de mim, eu pegaria o primeiro ônibus com destino a Aracajú! Porém, os pesares eram maiores do que os meus anseios, e os problemas envolvendo o papai ainda me atormentavam. Não podia, é óbvio, falar isso para ela, mas a falta de dinheiro conseguiu sensibilizá-la.

O Canto da ValquíriaLeia esta história GRATUITAMENTE!