Abri meus olhos e senti minha cabeça doer demais. Soltei um leve gemido e olhei para o lado. 

Estava deitado em um sofá gigante na varanda da casa de Mike, minha camisa tinha um pedaço rasgado e as coisas tinham sumido de minha cabeça. Que diabos eu fiz ontem à noite? 

Me sentei e vi meu amigo deitado ao meu lado, o balancei de forma bruta para que acordasse, eu poderia ser magro, mas era um pouco bruto. 

O sol batia em minha cara o que fazia meus olhos doerem bastante. 

Mike soltou um gemido engraçado e virou para o outro lado, então vi um chupão enorme em seu pescoço. Alguém tinha se dado bem ontem à noite. 

O balancei novamente com um sorriso no rosto, e seus olhos cor de mel se abriram, encarando os meus, ele sorriu, então colocou sua mão sobre a minha que repousava em suas costelas. Achei aquele tipo de contato estranho, com isso tirei minha mão debaixo da sua rapidamente. 

Comecei a lembrar de Natasha, e a bad bateu. Eu estava sozinho, sem ela! Eu precisava de uma mulher para ver se conseguia esquecê-la. Precisava de uma mulher que precisasse de mim tanto quanto eu dela. Essa mulher na qual Natasha nunca conseguiu ser. Mas no final das contas eu só queria um pouco de carinho e afeto. Na verdade, estava procurando amor, só que parece que hoje em dia ninguém se interessa muito por isso. Não conseguia parar de pensar que sentia como se algo em mim estivesse faltando, alguém, sentia falta de um abraço, e beijos incansáveis, do calor de um corpo contra o meu. 

Levantei do sofá e entrei na casa, tirando minha camisa rasgada e a jogando em qualquer lado. Mike morava sozinho, e tinha empregada, então não nos importávamos muito com bagunça. 

Entrei no quarto e fui para o banheiro. Tirei o resto de minha roupa e entrei embaixo da ducha tentando esquecer Natasha, mas aquilo era uma merda! Ela não saia da minha cabeça. 

A porta estava aberta, então vi Mike parar nela e encostar no batente.

– Está tudo bem? – Perguntou enquanto cruzava os braços. Eu me sentia como uma menininha morrendo de vontade de chorar. Respirei fundo, mas isso fez com que um nó se formasse em minha garganta. Então apenas neguei com a cabeça. – Hey, não fica assim, cara. – Neguei novamente. – Lex, – Falou abrindo a porta de vidro do box. Nós nos conhecíamos desde crianças, e jogávamos no time da escola, tomar banho junto era normal, e já tinha perdido a conta de quantas vezes Mike havia me visto pelado, mesmo depois de descobrir que ele era gay. – se isso te fizer melhor, esquece o que houve ontem à noite. – Aquilo me fez erguer a cabeça e olhá-lo sem entender o que diabos ele estava falando.

– Dude, o que houve ontem à noite? – A pergunta saiu em disparado de minha boca, e eu não queria pensar no que poderia ter acontecido. Mike se afastou um pouco, e eu sabia que ele iria desviar daquilo. – Fala! – Mandei, enquanto desligava o chuveiro e enrolava minha cintura com uma toalha. Meu amigo balançou a cabeça e deu um sorriso, como se falasse que não foi nada, saindo do banheiro. – Mike! Fala! – Fui andando atrás dele. – Não me faça pensar mil coisas! Você sabe como a minha cabeça fica fantasiando tudo.

– Nós ficamos, mas só foi isso. – Soltou aquilo como se fosse um tapa em minha cara. Parei onde estava e engoli em seco. – Sabia que isso ia dar merda. Você nem se lembra, então esquece o que eu falei. – Deu um sorrisinho sem graça e se sentou em sua cama.

– Eu, eu, eu vou para casa. – Peguei minha roupa que estava no chão e uma camisa de Mike, entrei no banheiro e me vesti. 

Eu tinha ficado com meu melhor amigo gay. Puta que pariu! E nem conseguia me lembrar daquilo. Como não?! Fechei os olhos sentindo uma confusão mental gigantesca brotar.

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