Capítulo 33

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Assim que eu desliguei a ligação do Ricardo o meu celular começou a tocar de novo. Dessa vez era a minha mãe. Respirei fundo porque estava imaginando que ela já soubesse sobre o tinha acontecido, já havia alguns repórteres em frente à delegacia.

- Oi mãezinha!

- Clara Batista, não me venha com 'mãezinha' – sim, ela estava puta da vida. – Eu abro mão da minha filha morar comigo, pra ela ir para outra cidade estudar o que ela sempre quis, abro mão de ver minha filha todo dia pra uma vez ao mês e olhe lá, pra ela ser agredida por um homem daquele?! – sua voz era um misto de raiva e de choro.

- Mãe... – tentei acalma-la, sem sucesso.

- Você está bem? Explica pra sua mãe o que aconteceu realmente porque seus amigos de profissão são todos uns burros que não sabem passar uma informação concreta! – ri do momento revolta da minha mãe e logo contei a ela sobre a Rafaela e o Vitor. Quase fiquei surda de tanto que ela gritava "Você precisava se intrometer nisso Clara?!" ou "Não sei se fico orgulhosa de você por ter ajudado essa sua colega ou com raiva por ter sido tão irresponsável!".

- Por favor, não arrume mais problemas Clara, eu não estou aí com você e nem seu pai. – eu não estava arrumando encrenca, eu estava arrumando um jeito de acabar com a encrenca que o Vitor era pra Rafaela.

- Tudo bem mãe, não precisa mais se preocupar com isso. – o caminho mais fácil era concordar com a minha mãe por mais que eu não concordasse de fato. – Tenho que ir mãe, depois a gente se fala.

Rafaela saiu de uma sala com o Jorge e a Dra. Manoela, enquanto o Vitor estava em outra sala.

- Conseguimos marcar uma audiência pra semana que vem, dando início ao processo contra o Vitor. Vamos fazer o exame de corpo de delito agora... – Rafaela me contou.

- Quer que eu vá com você? – eu não me importava de acompanhá-la mesmo que o Jorge estivesse junto.

- Não, tudo bem Clara. – ela sorriu.

- Então vou te esperar no meu apartamento, pra depois a gente festejar. – sorri também, nada mais justo que a noite das meninas hoje, porque finalmente conseguimos algo real contra o Vitor.

- Sem problemas. – e ela me abraçou.

- Fique bem. – dei um rápido beijo na sua bochecha e depois olhei pro Jorge lançando um olhar de "fique perto dela". – Qualquer coisa é só me ligar.

- Tudo bem. – e pela primeira vez vi um sorriso aparecer no rosto do Jorge.

***

Cheguei ao meu apartamento com um único pensamento: almoçar. Mas antes precisava ligar para a Juliana e a Ana, convidando-as para o bar hoje à noite com a Rafaela. E estava tudo combinado: decidi que iríamos num bar com karaokê próximo ao Jornal, não seria tão fora de mão para a Juliana e muito menos para a Ana.

Quando comecei a preparar meu almoço, lavando o arroz e descongelando um pedaço de bife, escutei alguém batendo na minha porta. Vi pelo olho mágico que eram a Laura e o Luan.

- Eiiii vocês! – fazia já um tempinho que não os via.

- Oi Clara! – eles me cumprimentaram junto e me abraçaram na cintura.

- A que devo a honra? – os convidei para entrar.

- A mãe quer saber se você vai almoçar com a gente. – Luan respondeu.

- Olha, eu estava começando a arrumar meu almoço. – apontei para a vasilha de arroz e o Luan fechou a cara. – Mas almoço com vocês sim! – voltei atrás porque não queria que o Luan ficasse chateado. - Ela precisa de alguma coisa? Tô cheia de carne bovina no congelador. – Laura negou com a cabeça.

Com a bola toda - em revisãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora