Capítulo 70

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Algumas semana haviam se passado, do que eu estava chamando de inferno particular. Sem mãe. Sem casa. Sem Savannah. Isso. Sem Savannah, uma semana depois de sua cirurgia, meu pai conseguiu liberação na justiça para ter sua guarda. Isso me arrasou, o que antes era minha motivação tornou-se minha pior dor.

- Emma, sabe que pode contar comigo né? - Richard me olha, enquanto passo mais base na marca roxa em baixo dos meus olhos.

- Está tudo numa boa - minto.

- Não Manu, não está. Olha pra si mesma está horrível - ele gesticula com a mão atraindo alguns olhares.

- Fala sério, acha que eu me importo com isso? - começo a rir, eu não estava consciente.

- Você parou de tomar faixa preta né? - ele pergunta enquanto sorrio, fazendo ele perceber que não.

- Você tem que parar com isso - Chad parece estar irritado.

Josefh vendeu a casa aonde morávamos, ficando com o dinheiro, Savannah não pode se despedir de mim. Era tudo um turbilhão de água fria que me deixava cada vez mais pra baixo.

- Seu namorado chegou - ele aponta para Matt que caminhava em nossa direção.

- Até amanhã - falo deixando Chad enquanto encontro Matt.

Matt

- Então vamos para aonde? - pergunto animado, mas ela insiste em continuar com uma cara terrível.

- Tanto faz - ela da de ombros, novamente ela revira os olhos e isso me tirava do serio.

- Emma, por favor colabora - peço, mas então ela começa a andar em direção ao carro.

Fico em silêncio por alguns segundos, mas seus olhos estavam distantes. Ela não precisava disso tudo, poderia ficar brava e triste. Mas não me esgotar todas as vezes que estamos juntos.

- Vou para casa de Luke - ela avisa abrindo a porta do carona. - Se puder me levar rápido agradeço.

- Tá agora eu sou teu motorista? - pergunto ao lado da porta.

- Se você preferir posso ir de ônibus, não me custa.

Dei um soco na porta, não me importando com a lataria. O percurso para casa parecia ser longe, pois estava um tédio ficar com Emmanuella desse jeito.

- Posso fazer alguma coisa para você melhorar esse jeito? - perguntei sorrindo, talvez tentando sorrir para falar a verdade.

-

Pode - ela suspira. - Me deixa na Anna.

- Até quando você vai ficar nessa merda? - pergunto batendo a mão no voltante.

Ela insiste em não responder nas, apenas contínua com seu olhar longe do meu, e seus pensamentos distantes. Ao chegarmos ela confere se o celular está na bolsa.

- Te mando uma mensagem quando chegar em casa - digo tentando amenizar o clima, que parecia não ter nenhuma mudança notável.

- Até mais Matt - sua voz não demonstrava sentimento algum, muito pelo contrário parecia que tudo havia virado rotina. Não era justo, não mesmo.

***

O apartamento estava do mesmo jeito que havia deixado de manhã. Não tinha motivação em deixar as coisas arrumadas, para falar a verdade eu não me importava mais com isso.

Querida BabáOnde as histórias ganham vida. Descobre agora