Capítulo 6 (Bryan)

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– Eu me recuso a participar disso! –falei dando as costas para aquela palhaçada, sabia que Alice não iria sem mim, ela não faz nada sem mim.
Fui para o chalé e me joguei na cama, minutos depois Annabeth e Alice entraram na companhia de Rachel sem ao menos bater, meu colega de quarto Lucca lançou um olhar furioso pela movimentação, por sorte nós dois éramos os únicos "irmãos" lá dentro.
– Alice este é Lucca, chegou a pouco tempo mas já sabia que era meio sangue, Lucca está é Alice, filha de Atena.
– O que vocês querem?
– Ser babaca é de família mesmo. –Alice sussurrou para Annie que segurou o riso.
– Lucca você vai com Alice em uma missão!
– O QUE? NÃO MESMO! –interferi antes que Lucca pudesse aceitar ou recusar a missão.
– O namoradinho dela não curtiu muito... tenho mais o que fazer, já podem sair.
– Ela não é minha namorada!
Naquele instante meu sangue ferveu, senti minhas bochechas queimaram como na vez em que um velho com cheiro de sardinhas disse que Alice e eu iriamos nos casar na vida adulta, eu estava envergonhado e irritado ao mesmo tempo, Lucca saiu do chalé me deixando falando sozinho.
– Escute Bryan, você acha que isso tudo é bobagem, que está sonhando ou algo assim, veja bem, eu também não acreditava em tudo isso e muito menos que eu seria o novo oráculo, ser destinada a passar a vida presa de acampamento em acampamento entregando profecias para piralhos mal agradecidos! –Rachel parecia de fato zangada comigo e com a vida que estava levando.
– Faça o que quiser mas eu não vou e Alice não vai com aquele babaca!
– Não vou? Isso é o que vamos ver!
Alice deu de ombros e juntou a mochila que Annabeth havia posto no chão, certamente com rupas e mantimentos, a oráculo saiu logo em seguida me deixando sozinho com a irmã de Alice.
– Por que você é tão babaca?
– Não sou babaca sua loira...
Pensei em chamar Annabeth de burra mas então lembrei que era a filha mais inteligente que Atena já teve, não faria sentido chama-la de algo que estava léguas de ser.
– Mesmo que Lucca não vá nesta missão a Alice está disposta a ir e pelo que vejo sem você também.
Annie colocou uma segunda mochila no chão e saiu me deixando sozinho, olhei por uma pequena janela através da cortina preta que cobria toda a parede e pude ver Alice se afastando cada vez mais de tudo, naquele ritmo ela sairia da fronteira mágica em minutos, peguei a mochila e sai correndo na direção dela, mesmo que com toda a minha pressa consegui ver Annie e Rachel sorrindo atrás de mim.
Em questão de segundos alcancei Alice e toquei seu ombro, ao mesmo tempo em que eu a surpreendi ela também me surpreendeu, deixando-me imóvel e com um magnifico corte na bochecha.
– Bryan que droga!
Alice assustada solta a adaga com que causou um belo corte em minha face, seu rosto ficou mais pálido que o normal e nos seus olhos pude ver umas lágrimas se formarem rapidamente.
– Você tem uma mão forte.
Apenas completei sorrindo para que ela pudesse ficar calma.
– Poderia ter matado você!
– Você não conseguiria se livrar de mim tão fácil, sou filho do Deus dos mortos, não sou? –ela ignorou minha graça totalmente, ajuntou a adaga e colocou na mochila.
– O que está fazendo aqui?
– Não vou te deixar ir sozinha nessa viagem.
Ela deu de ombros, parecia realmente chateada, seguiu andando em minha frente, eu olhava para todos os lados tentando entender para onde estávamos indo, era como andar em círculos, estava quase desistindo de andar quando avistei algo estranho no meio da floresta.
– Ali, olhe lá!
Apontei em direção à uma luz no meio da floresta.
– Vamos até lá?
– Vou sozinho.
Me aproximei e pude avistar um local cheio de velas coloridas, muitas flores crescendo naturalmente em volta, havia uma melodia suave e borboletas azuladas, esverdeadas e douradas voavam em todo o local, confesso ter ficado impressionado com tamanha beleza mas o que realmente me chamou a atenção foi uma garota dos longos cabelos brancos e olhos cor do céu, ela vestia uma túnica branca com belos detalhes em dourado assim como as joias que enfeitavam seus longos cabelos, ela era incrível.
– Bryan!!
Alice me surpreendeu com um soco no ombro assim que percebeu o quão hipnotizado estava com a beleza da jovem.
– Quem está ai?
A garota levou uma das mãos em direção à uma vela em sua frente fazendo com que o fogo ficasse mais alto, pudemos ver algumas moedas espalhadas em torno de um prato.
– Responda ou serei obrigada a puni-los!
Por mais irritada que ela parecesse a sua voz permanecia suave e adocicada, Alice estava fumegante em minhas costas, ela me puxava para sairmos dali antes que as coisas ficassem piores mas meus instintos sedentos pelo perigo me fizeram novamente agir por impulso.
– Eu sou Bryan, filho de Hades! Quem é você?
A garota sorriu e tornou a baixar o fogo, algumas borboletas se aproximaram de mim e pude notar que eram pequeninas ninfas da floresta, já havia lido sobre elas em alguns livros mas nunca pensei que seriam reais.
– Aproxime-se meu jovem!
O sorriso daquela garota era tão encantador que não demorei para chegar ainda mais perto.
– Bryan vamos embora!
Alice se aproximou com uma adaga na mão direita e uma espada na esquerda pronta para atirar na direção da garota.
– Alice e Bryan, estava esperando por vocês!
– Como sabe meu nome?
Alice ficou ainda com mais raiva, nenhum de nós sabia como agir diante daquela situação.
– QUEM É VOCÊ?
Repeti minha pergunta inicial enquanto pegava a espada da mão de Alice.
– Fique calmo, eu sou uma devota de Hera, sou responsável por recrutar novas garotas dispostas a terem uma vida pura e servir de coração a deusa da fertilidade e da família.
– Vamos Bryan, não temos nada para fazer aqui!
Alice não gostava daquela história, ao menos parecia temer algo com a presença da jovem devota.
– Alice, seu coração me diz que algo está lhe perturbando...
– Nada está me perturbando!
A garota levantou de seu delicado travesseiro de cetim e deu duas voltas em roda de mim, ela me olhava fixamente e parecia provocar Alice, ela queria algo, provocar algo e eu estava prestes a descobrir, talvez da pior forma.
– Toma, guarde estes dracmas meu garoto, você vai precisar.
Ela tocou meu ombro e soltou algumas moedas no bolso da minha jaqueta, virei-me para Alice e seus olhos estavam vermelhos, a garota tornou a se dirigir a Alice.
– Então minha pequena, nada está perturbando o seu coração?

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