Capítulo VII - Grupo de críticos

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"E vós, que muitos beijos (aos milhares!)

Já lestes, me julgais não ser viril?

Meu pau no cu, na boca, eu vou meter-vos."

Caio Valério Catulo 

 

Você já ouviu falar de algo chamado GPGuia? Trata-se de um fórum online na qual homens das mais variadas idades utilizam pseudônimos como "Lambe Grelos" e "Fodedor Municipal" para discutir sobre putaria na internet. O principal objetivo dessa comunidade digital é servir como um centro de referência de boas prostitutas, já que os foristas — como os próprios gostam de se intitular — podem postar análises detalhadas de todos os seus programas realizados, pontuando o desempenho das acompanhantes.

É um lugar peculiar e que, surpreendentemente, tem posição de destaque dentro do universo do sexo comercial. Muitas prostitutas (especialmente as de luxo) se esforçam para não terem análises negativas nesse tipo de fórum, já que informações como "ela não chupa muito bem" ou "não gosta de dar o cu" podem afastar um cliente em potencial.

Foi no GPGuia que eu conheci um senhor de 46 anos que aqui chamaremos de Ximbador69. Segundo ele, o apelido veio de uma cafetina conhecida. "Eu acrescentei o 69 por ser o ano em que nasci e a minha posição preferida", comenta. O advogado, que também reside em São Paulo, fascinou-se pelo mundo da prostituição aos 16 anos de idade. Sim, são exatos trinta anos de muita putaria.

"Eu sempre fui tímido e não foi à toa que beijei pela primeira vez aos 15 anos. Nesta época, eu fazia colegial e muitos ao meu redor já relatavam que tinham ido ao puteiro. Eu tinha amigos e colegas, mas não queria compartilhar esta iniciação sexual com ninguém, embora minha libido estivesse altíssima e frequentemente me masturbava vendo revistas de mulheres nuas. Era um vício, muitas vezes difícil de controlar, porque sempre que arrumava uma brecha, eu ia bater uma punheta", relembra.

Aos 16 anos, já sendo chamado de cabaço por colegas de classe e com constantes pesadelos de que teria suas roupas roubadas caso entrasse em um prostíbulo, o paulista finalmente tomou coragem para entrar na casa das primas. "Embora muitos amigos foram corajosos e transaram sem, fui preparado com camisinha, embora naquela época ainda não se falava em Aids. Meu pai é médico e possui vários livros com ilustrações. Sempre que eu folheava as páginas e via aqueles pênis e vaginas com corrimentos, verrugas, pus etc., me dava nojo e medo de pegar alguma doença também", comenta.

"As garotas vieram se apresentar e uma delas riu de mim, perguntando se era a minha primeira vez. Fiquei sem graça e neguei. Uma outra veio e me defendeu, disse que um 'menino bonito' desses não poderia ser virgem até aquele momento. Sem graça, tratei de escolher rápido uma mulata novinha que tinha se apresentado. Eu sempre gostei de mulheres de cabelos longos e esta tinha o cabelo bem curto, mas o corpinho dela era ótimo".

Trabalho feito, Ximbador69 acostumou-se com a brincadeira e passou a juntar suas economias para ir em pulgueiros. Na adolescência, a frequência de visitação à esses lugares era baixa: no máximo duas aventuras por mês. "Há cerca de uns oito anos atrás, eu saía do trabalho e ia num puteiro barato que ficava perto e era praticamente quase toda sexta, nem que fosse só para 'ximbar' em outros lugares", revela.

Questionado sobre seus gastos com esse tipo de coisa, o entrevistado afirma que às vezes faz até uma previsão orçamentária para não passar aperto no fim do mês por conta da putaria. "Hoje gasto em média quatrocentos a seiscentos reais, mas posso aumentar esse valor caso surja algo muito interessante". O forista só ficou inativo entre seus 26 e 36 anos, época em que namorava uma mulher bastante desconfiada e tinha medo de perdê-la. "Por outro lado, investia em presentes e motéis de luxo quando transávamos", conta.

Mas lembrar desse período de sua vida também traz certos arrependimentos. "perdi um tempo que a minha libido era ainda maior que hoje e relembrando a minha vida sexual daquela época, sei que eu fazia muitas coisas para a minha namorada para ter um mínimo de sexo."


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Ramon de Souza tem 22 anos, já participou de seis antologias literárias, publicou um livro solo ("Rato Urbano", Ed.Multifoco, 2014), publicará mais um em 2016 ("Meus preciosos contos tristes", Ed. Multifoco) e venceu um prêmio de jornalismo latino-americano. 

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