Capítulo 22

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Sem pensar duas vezes, corri em direção a parte de trás da casa, e logo soube do que se tratava: Um par de sapatos azuis de salto médio, os reconheci de imediato.

— São dela! — gritei — Ela deve ter tirado para fugir daqui.

— Suspeitamos que ela não tinha como ir muito longe, vamos procurar por ali. — disse um deles, apontando para o mato Alto que se estendia por uma vasta região nos fundos da casa.

Procuramos por todo local, mas nada foi encontrado, nem um vestígio sequer. Ela não estava  ali.

— E se procurarmos do outro lado da estrada? Ela pode ter fugido para se esconder lá. — sugeriu Augusto.

Os policiais concordaram e nós procuramos por todo o local, nos dividindo dois para cada lado. Depois de um longo tempo de procura e quase desistência acerca daquele local, Augusto a encontrou, o que quase fez com que meu coração quase parasse.

— Ela está aqui! — ele gritou de repente, fazendo meu coração bater descompassado.

Eu mal contive os passos e em um gesto desesperado corri, caindo de joelhos no lugar onde ela se encontrava desmaiada.

— Lana, meu Deus! Eu te encontrei meu amor! Como tive medo de te perder... Ah meu Deus! Você está bem, vai ficar tudo bem agora, ouviu? — repetia, descontroladamente.

Não pude notar os olhares de confusão dos policiais quando me viram chamá-la daquele jeito, mas eu não me importava. Só queria gritar para o mundo que a amava e que agora tinha ela ao meu lado outra vez.

Abracei-a e senti seu coração bater, aliviando toda a tensão que havia no meu corpo minutos antes. Eu só queria abraça-la e tê-la comigo, vê-la viva era um alívio para mim. Sentir seus cabelos macios e a pele do seu rosto tão próxima a mim, fazia-me ter vontade de beijá-la; mas me contive. Só de vê-la outra vez, tudo já valia a pena.

— Vamos chamar uma ambulância, a fumaça pode ter a afetado. — falou o policial.

Quando enfim a ambulância chegou, a levamos para o hospital mais próximo da região.

Passei algum tempo aguardando por notícias na recepção, — horas, para ser exato —, até que corri ao ver o médico que a examinou.

— Como ela está doutor? — Perguntei aflito.

— Está estável. A fumaça afetou um pouco os seus pulmões, mas nada de muito grave. Porém, achamos melhor transferi-la para o hospital da Cidade, aqui não temos muitos recursos.

Suspirei aliviado.

— Tudo bem... Quando vão transferi-la? Posso vê-la?

— Aconselho que deixe ela descansar. — informou. — Iremos fazer a transferência amanhã.

— Tudo bem. Obrigada doutor.

— De nada, garoto. — falou, saindo em seguida.

Queria acompanhar a transferência, — a qual seria bem cedo pela manhã —, e como já estava quase anoitecendo, Augusto sugeriu que ficássemos por lá aquela noite. Alugamos um quarto em uma pensão bem próxima ao hospital, afinal, precisávamos descansar muito depois de tudo o que aconteceu.

***


No dia seguinte, bem cedo, liberarem Lana para transferência. Quando finalmente estava tudo pronto, a acompanhamos até um conhecido hospital da Cidade, o mesmo em que Alice estava internada.

Durante todo o caminho, segurei sua mão lhe passando toda a força que tinha naquelas horas que precisávamos para chegar ao hospital. Mesmo que o seu estado não fosse tão grave, eu não podia deixar de me preocupar.

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