Diálogo #4 - Corrigindo os 10 erros

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Bom você fez uma análise aprofundada no seu texto e percebeu que o seu diálogo não está perfeito. O que fazer, então? Vamos às soluções:

1 – Repetição: Entenda os diálogos como roupas de festa. Se você usar no dia-a-dia, elas perdem o valor. Então, entenda o momento para usá-las e as use uma única vez. Só assim, seus diálogos terão todo o impacto pretendido. Contudo, a causa da repetição pode ser que você ainda não encontrou a fala ideal para aquele diálogo. Continue tentando. Se não a achar, use a melhor que tiver uma única vez.

2 – Banalidade: Evite clichês com toda a força. Se precisar usá-los, troque a carga deles. Mostre que os melhores espetos são das casas dos ferreiros. Saia do senso comum para não ficar preso na multidão de histórias escritas e sendo escritas.

3 – Linguagem neutra: Pense em como os seus personagens são únicos e diferentes entre si. Não apenas o protagonista. Todos. Entenda o que só ele pode fazer e dizer. Procure palavras recorrentes e vícios de linguagem próprios. Então, comece a escrever o diálogo.

4 – Ostentação: A não ser que o seu personagem seja caracterizado por excesso de formalismo ou que a cena o peça, seja informal. Seja natural. Diga algo que uma pessoa comum real diria naquele contexto. Não tente parecer melhor, porque você acaba parecendo um amador.

5 – Discurso árido: Mais uma forma de ostentação, essa é especificamente com a mensagem do discurso e não quanto a sua forma como no caso anterior. Seja simples, humilde e, mais uma vez, natural. Imagine um amigo seu fazendo esse discurso filosófico. Seria natural? Leia em voz alta. É cansativo? Qualquer um sim exige a reformulação do diálogo.

6 – Exagero: Imagine as novelas mexicanas com seu tanto de melodrama. Por que as cenas parecem forçadas? Porque existe um exagero de emoções. E é um exagero porque falta motivação para tanta ação. Então, antes de começar o diálogo, procure saber a motivação dos personagens. Se não houver um conflito forte, pense em cortar a cena.

7 – Chit Chat: Essa é simples. Corte. O que não tem importância para a história, não merece estar no seu livro.

8 – Exposição forçada: Os diálogos não devem ser apenas informativos. Se for o caso, repense as cenas para que o leitor saiba de outra forma o que aconteceu.

9 – Defeito na cena: Imagine que uma conversa sobre informações confidenciais. Agora imagine essa conversa numa feira de frutas orgânicas. A cena não combina com o diálogo e, inclusive, tira impacto dele. Reestruture a cena para que o diálogo alcance todo o seu potencial.

10 – Sem filtro: Todo mundo tem motivações conscientes e inconscientes – às vezes contraditórias. Outras vezes, o personagem se sente obrigado a dizer algo que não acredita. Por isso, dê ao seu personagem uma camada extra de verossimilhança e procure adicionar conflito entre o que o personagem fala e o que ele quer. Não precisa ser sempre. Mas deve ser algumas vezes.


OBS.1: Não precisa tentar acertar na primeira versão. É ao longo do processo de escrita que você compreende os seus personagens de fato e só depois que poderá mostrar como falam.

OBS.2: O diálogo tem um enorme efeito de retenção do leitor. Por isso, dê a ele a sua devida importância e o lapide até ficar ótimo.


                  

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GUIA do Escritor de FicçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora