Mas que porra é essa? — o grito agudo reverberou pelos tímpanos de Jack, içando-o da cama à força. — Jack, eu vou te aniquilar! Isso é magia negra? Que inferno!

O detetive vagou pelo corredor, a caminho da voz estridente do amigo que ecoava pelo apartamento inteiro; os pés moles e mancos arrastando-se pelo piso, o olhar embaçado de tanto cansaço.

Oz o aguardava com a pantufa marrom batendo na madeira, e uma ira extrema, sacudindo a cabeça encolhida que encontrara pendurada com fita adesiva na porta de seu quarto.

— Bom dia para você também — Jack riu, apertando os olhos para conseguir analisar a cena perfeitamente. — Gostou do presente?

— Presente? — Oz levantou as sobrancelhas até quase alcançar os fiapos de cabelo preto, incrédulo. — Presente é um perfume. Presente é um roupão. Presente é...

— Roupão? Que merda de presente, hein — ironizou.

— Mil vezes melhor do que esta porra! — Oz aumentou o tom de voz, inconformado. — Onde você achou isso?

— Ora, veja pelo lado bom, pelo menos é útil... — ele não conseguia diminuir o sorriso, por mais que tentasse. As feições exageradas de Oz Ward não permitiam. — Veio direto do inferno para você — completou, lembrando-se da frase dita por Cassandra na noite anterior.

— Isso era uma coisa viva? Você me deu uma cabeça em decomposição?! — Oz perguntou horrorizado, desviando o olhar para a boca costurada e nojenta do boneco, imaginando os milhares de germes escondidos ali dentro. — Você é louco?

— Ah, Oz, você sabe o quanto eu adoro mexer com cadáveres de noite — Jack gargalhou, andando alguns passos à frente e distanciando-se do amigo perplexo.

— Cacete, Jack! Só me diz de onde diabos isto veio! — continuou, revoltado, seguindo-o em direção à geladeira, para acompanhá-lo na busca pela garrafa de leite na segunda prateleira. — Ou eu vou obrigar o Randall a tirar parte do seu salário para me indenizar por danos psicológicos causados pelo número de pesadelos que esta coisa vai me trazer.

— Tá — bufou, fechando a porta do refrigerador e caminhando à mesa da sala, levando a caixa de cereais encontrada no balcão da pia consigo. — Comprei numa loja de vodu ontem, com a Cassandra. Feliz?

— Você não imagina o quanto — Oz disse, sarcástico, vendo-o pegar a tigela amarela no armário e uma colher na gaveta, organizando-as ao lado do leite e do cereal. — Mas você ainda não me respondeu sobre uma coisa... Isto é uma cabeça de verdade?

— Se eu te responder isso, você vai me deixar comer meu cereal em paz? — Jack perguntou, derramando o leite na tigela.

— Se você me responder isso, vou te deixar comer seu cereal em paz — Oz assentiu.

— Então... — sorriu. — Digamos que eu não tenha provas... Mas meu faro investigativo aponta que sim, bem provável — falou tranquilamente, levando a colher com o alimento à boca logo em seguida, ignorando a aflição com que Oz jogara o objeto no chão.

— Você vai morrer nos braços do capeta! — exclamou, colérico, correndo para ligar a torneira da pia e lavar suas mãos dos resíduos da figura medonha.

— Mal posso esperar por isso... — disse Jack, mais uma vez com os pensamentos focados na cartomante do Guadolomon

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