Capítulo 7 - Minha casa, sua casa

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Acordamos cedo no dia seguinte. Ele já está na cozinha preparando o café. Apareço já arrumada. O look de hoje foi o mais prático que pude colocar na mochila: Vestido, blazer e scarpin de salto baixo. Faço um coque casual e aplico uma maquiagem suave, própria para o dia. Estou pronta. Vou até a bancada da cozinha. Ele fez café, colocou as xícaras, pão, queijo branco e salada de frutas. Tudo que eu costumo comer de manhã. Eu me derreto toda com a atenção que ele demonstra. Tão pouco tempo e ele já sabe tanto de mim. Começamos a tomar café, e para quebrar o silêncio que se instalou entre nós, ele diz:

– Nina, foi maravilhoso dividir minha casa com você... Minha cama...

– Adorei dormir aqui com você, Edu. De verdade.

– Vamos nos ver hoje?

– Já estamos nos vendo. Já é hoje. – Declaro divertida.

– Você entendeu, linda, não se faça de engraçadinha. Quero te ver mais tarde. Tenho planos.

– Eu também tenho Edu, e eles não incluem um encontro hoje. – Sorrio, para descontrair o ambiente. Sei que minha resposta não vai agradar.

– Já passamos da fase do encontro, você não acha?

– Acho meu anjo, mas hoje tenho que ir à academia, ao ioga e fazer algumas compras para casa. Tarefas domésticas de rotina.

– Você não tem ninguém para cuidar da sua casa?

– Não tinha, mas agora vou ter que ter. Pedi à minha mãe para arranjar alguém. Ela ficou de ver.

– Estou viciando em você, Nina. Não sei onde isso vai parar. Não estou preparado. – Ele dispara.

– Não estou te cobrando nada, Edu. Deixa as coisas acontecerem. Está bom assim. Não precisamos dar um título ao nosso relacionamento.

– Tudo bem linda, mas quero deixar uma coisa clara: Gosto de exclusividade, e isso está me matando. Precisamos conversar sobre algumas coisas.

– Não me passou pela cabeça que fosse ser diferente Edu. Sobre o que precisamos conversar?

– Nosso assunto não é para agora. Você está certa. Por hora está tudo bem.

 – Ele muda de ideia. 

– E aí, vamos trabalhar? Deixo você no trabalho.

– Tudo bem se eu deixar minha mochila aqui? Volto para casa de metrô e fica ruim levar tanta coisa.

– Claro que pode, linda. Minha casa, sua casa.

Após essa conversa estranha ele me deixa no trabalho. O dia passa tão rápido que não tive nem tempo para pensar no seu significado, porque uma avalanche de tarefas se abateu sobre mim, tive que pedir que a Vanessa providenciasse meu almoço e comi na minha sala. Fiquei com medo de que ela envenenasse minha comida, tamanha a cara feia que fez quando pedi que providenciasse algo para eu comer. Não entendo o que o Fernando viu nessa mulher para arrastá-la para trabalhar aqui. Sem classe, inconveniente, bisbilhoteira e falsa, além de ser muito brega. Enfim, não estou aqui para avaliar o mérito profissional da fofa, mas continuo de olho nela.

Nossa viagem está marcada para daqui a uma semana exatamente, o que significa que embarco na próxima quarta- feira à noite. E ainda não contei para o Sr. Imprevisível. Ontem ainda não havia uma data, usei isso como desculpa para mim mesma, a fim de adiar o problema.

Só consigo me desvencilhar de todo o trabalho às sete da noite. Vou para casa, e às oito, corro para a academia. Um pouco de musculação, vinte minutos de corrida na esteira e ioga para relaxar. Já são dez da noite. Passo rapidamente no mercado que fecha somente à meia- noite e compro itens necessários. Faço um lanche rápido, tomo um banho, e durmo, ou melhor, desmaio na cama.

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