A Conversa

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As batidas na porta cortaram o silêncio no quarto de Jake. Por quanto tempo estava ali deitado? Não sabia dizer. Tinha ido dormir bem tarde, mas acabou acordando cedo e desde então não tinha saído da cama. O edredom cobria-o até o pescoço e seus olhos verdes estavam vidrados no teto. O que aconteceu na noite passada não saia de sua cabeça, nem por um minuto. Era tudo muito confuso e novo, e o garoto não tinha certeza do que estava sentindo.

Laura chamou o nome do filho. Jake afastou o edredom, colocou-se em pé e foi abrir a porta.

-Pensei que ainda estava dormindo – Disse a mãe, com uma pilha de roupas na mão.

-Eu só estava deitado...

-Não vai tomar café?

-Já vou descer.

-Não demore.

-Tá.

Ele fechou a porta e foi se sentar na cama, pensativo. Estava só de cueca e o reflexo do espelho no armário o encarava. Não estava com a mínima vontade de comer alguma coisa, mas acabou se cansando de ficar naquele quarto, então vestiu uma roupa e desceu. Tomou o café da manhã sozinho na cozinha, pensando na vida.

Agora você já sabe a verdade. Era só isso que eu queria.

Jake podia ouvir a voz de Dylan dentro de sua cabeça. Não havia dito ao amigo, mas já sabia. Já sabia há muito tempo, mas por alguma razão passou todos esses meses ignorando esse fato. E agora estava arrependido. Poderia ter se revelado muito antes se não fosse o medo. Estava feliz, mas ao mesmo tempo confuso.

Parando para refletir, as atitudes de Dylan sempre foram bastante suspeitas, desde quando se conheceram. E agora que tinha a certeza, olhando para trás, poderia ter agido diferente em muitas situações. Mas estava ocupado demais se importando com outras pessoas: Primeiro em Melissa, que tinha lhe dado o fora e depois em Liza, que estava estranhamente interessada nele. Não deveria ter perdido tempo com as duas. Deveria ter reparado em quem estava do seu lado esse tempo todo.

Jake tinha gostado muito mais do boquete de Dylan do que o de Liza. Não só por que o skatista tinha lhe feito gozar, mas também por causa da situação, das palavras que tinha dito, da surpresa, da sensação de estar fazendo algo proibido, do risco de serem pegos por alguém...

Toda as vezes que eu for para o quintal vou me lembrar disso...

O cereal estava quase no fim e Jake sentia o seu membro pulsar quando se lembrava do que Dylan tinha feito. Assim que terminou de comer, o loiro colocou a tigela e a colher dentro da pia, guardou o leite na geladeira e foi para a sala de estar. Escolheu um canal de TV qualquer, deitou-se no sofá, se esticou e continuou com seus pensamentos.

Nunca poderia imaginar que a noite passada fosse terminasse naquele jeito. Tinha ido na festa de Liza com esperanças de que a loira ainda estivesse com a mesma vontade que tivera no acampamento. No final das contas, tinha o levado para o quarto e eles até fizeram algumas coisas, mas a garota passou mal logo no começo. Naquele momento, quando Liza estava lhe chupando, Jake não via a hora de subir em cima dela e fazer sexo de verdade...

Jake queria muito saber se Liza estava bem e o que estava achando disso tudo. Pensou em mandar uma mensagem para ela na internet, mas não teve coragem para fazer isso. Além do mais, o que ele realmente queria naquele momento era se encontrar com Dylan. Precisavam conversar depois do que aconteceu. Mas o que lhe diria?

Algum tempo depois, Jake desligou a televisão e foi correndo para o quarto. Pegou o celular em cima da mesinha do computador e ligou para Dylan, sentindo o coração acelerado. O skatista não atendeu. Tentou ligar de novo e nada...

A Vida de Jake (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!