Viagem de Campo

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Capítulo 11

Viagem de Campo

          Apesar de eu me sentir um caco depois de passar tanto tempo dormindo, o remédio que a Tigresa tinha feito havia funcionado. Tirando os dois dentes que eu havia perdido, aparentemente nem mesmo ela conseguiria fazer eles crescerem de volta, as minhas costelas haviam se recuperado totalmente. Pelo menos eu já havia me acostumado com os dentes postiços e minha boca não salivava o tempo inteiro.

          Enquanto eu estava nas minhas últimas etapas de recuperação, os outros haviam decidido terminar de arrumar as coisas deles ao invés de esperar eu acordar para fazê-lo. O que seria uma coisa boa em qualquer outro lugar, mas aqui significava que eu tinha um regime de treinamento ainda mais puxado preparado para mim. Não me surpreenderia se Dragão tivesse destruído uma casa só para que eu tivesse que carregar os escombros para fora da cidade. Mas a pior parte era: eu já estava me acostumando com isso. E duvido que fosse um bom sinal.

          Boneca também havia parado de me seguir para todo o lado, provavelmente estava mais tranquila agora que eu podia respirar direito. Mas isso não impedia ela de me parar toda vez que cruzava comigo para verificar se estava tudo bem com meu corpo. Como alguém com aquela aparência podia ser tão gentil era difícil de se explicar, mas dava para se dizer que isso era apenas parte do mundo dos Amaldiçoados.

          E fui até a entrada da cidade me encontrar com Dragão. Chegando lá, vi que não era o único que estava prestes a receber um pedido irrazoável. Todos os outros também estavam reunidos. Quando Dragão percebeu minha aproximação, ele começou seu discurso.

          — Agora que estamos todos aqui, vamos começar. Nós recebemos um contrato ontem para ser efetuado imediatamente. Normalmente, eu gostaria de levar o Brayan para que ele consiga um pouco de experiência, mas temos que cuidar de algumas coisas.

          Dragão tirou um mapa do bolso e o abriu para que pudéssemos ver. Aparentemente ele havia marcado vários pontos nos arredores da cidade, alguns eram círculos vermelhos enquanto outros eram xises azuis.

          — Existe um bom número de Masmorras próximas daqui. Pelo o que eu e Sombra conseguimos ver, algumas guildas do Divino tem tido interesse nesta área para treinamento de novatos. Não acho que eles acreditem que estamos aqui, ou até mesmo saibam quantas Masmorras existem. Seria bom que nós nos livrássemos das mais próximas da nossa base. Dessa forma, eles provavelmente vão achar que as Masmorras acabaram.

          Dragão dobrou o mapa novamente e o jogou para Sombra, que o pegou sem problemas.

          — Eu, Boneca e Tigresa vamos cuidar do contrato. Sombra, Brayan e as Gêmeas vão cuidar das Masmorras. E lembrem-se, evitem confronto com os Abençoados a qualquer custo. Não acho que eles tenham mandado alguém excepcional, mas vamos ter problemas se eles souberem onde nós estamos.

          Todos concordaram sem perguntas. Aparentemente não era a primeira vez que eles faziam algo parecido, e com razão. A estratégia soava boa. Eu nunca havia sido levado para treinamento de campo enquanto estudava na Escola do Divino, mas eu sabia que os novatos costumavam ser levados para áreas com várias masmorras acompanhados de veteranos para treinarem. Se eles andassem um bom tempo sem achar mais masmorras, provavelmente acreditariam que a Terra Morta estava limpa, e pelo o que Dragão havia explicado, quando eu matei o núcleo da Terra Morta onde treinamos, o processo de dispersão do Miasma demorava. Demoraria algum tempo até que eles percebessem que havia algo de errado.

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