Capítulo 5 (parte II)

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10:22 "Oi Sara. Desculpe pelo jeito que falei com você. Você tá bem? Podemos conversar pessoalmente?"

Respondo em menos de dois segundos.

10:22 "Estou bem. Podemos nos encontrar no parque, daqui 15 min?"

Mando e prendo a respiração. Até que o celular vibra novamente na minha mão.

10:23 "ok."

Tomo um banho e me arrumo rapidamente. O parque em questão fica a duas quadras de casa e eu só tenho que andar dez minutos para chegar lá. Passo pelo segurança que fica vigiando a entrada e aceno com a cabeça. O nome dele é Osiris, exatamente como o deus da mitologia egípcia. Venho muito aqui quando preciso pensar ou quando quero ficar sozinha, é meu lugar especial, então Osiris já me conhece e sempre me cumprimenta educadamente todas as vezes que apareço.

Sento-me na grama, no lugar de sempre e fico observando o lago à minha frente. As marolas da água tremulam conforme o vento sopra e há alguns patos nadando despreocupadamente, balançando de leve o rabicho de um lado a outro como num rebolado. Simas, Bianca e eu já viemos várias vezes aqui para andar de bicicleta aos finais de semana. Fazíamos isso quase todos os sábados, mas ultimamente tenho vindo mais com Bianca do que com Simas, por causa dos treinos dele de futebol. Ele joga pela faculdade e tem uma bolsa em Administração. Mas as competições universitárias estão se aproximando e, com isso, os treinos dele sido mais frequentes.

Estou perdida em pensamentos sobre lembranças distantes quando sinto a presença dele atrás de mim. Ele se senta ao meu lado e sinto seu olhar pousar sobre mim. Desvio o olhar do lado para encará-lo também e não sei o que pensar ou sentir enquanto seus olhos vagam pelo meu rosto desse jeito. Acho que só estou cansada de todo esse drama que têm sido meus dias.

- Oi. – diz ele quando permaneço em silêncio.

- Oi. – respondo e dou o mais leve dos sorrisos.

Ele olha para o lago, onde a água cintila com o sol. O tempo está bom hoje, do jeito que eu gosto, sem muito calor e uma brisa leve que sopra suavemente ao nosso redor. O céu está de um azul claro perfeito e sem nuvens, um lindo sábado.

- Olha Sara, eu só estava tentando entender tudo isso. – ele suspira e olha novamente pra mim. – Essa situação toda é um pouco confusa e... Te ver daquele jeito...

- Eu sei. – digo antes que ele possa continuar porque já estou me sentindo mal por ele. E por mim. Porque eu só quero ser uma pessoa normal, uma namorada normal, que não tem medo de tudo. Mas não sou normal, apesar de todos os meus esforços para manter a mente no lugar.

- Eu li algumas coisas na internet. - continua ele após um momento. - Mas o que eu não consigo entender é: Se você sabe que fica com medo em ocasiões como aquela... – ele hesita antes de terminar a frase. Mas eu nem preciso que termine para saber o que está por vir. – Por que você vai? Quer dizer... Acho que para evitar essas crises, basta você não ficar pensando coisas ruins.

Tento sorrir. Tento ser compreensiva com Simas e seu senso lógico. Mas eu simplesmente não consigo evitar me sentir frustrada. Porque é claro que eu tento não pensar em certas coisas. É claro que eu tento ao máximo não refazer os caminhos que me levam a uma crise de pânico. Mas não é sempre tão simples assim. Às vezes o medo vem se aproximando de mim tão sorrateiramente que quando me dou conta já estou tremendo e perdendo a noção de tempo e espaço. Nem eu entendo direito o que acontece comigo, então como posso evitar o que não entendo?

- Eu sei Simas. - respondo tentando não demonstrar minha impaciência e frustração - Tento evitar pensamentos negativos. Mas não é algo que eu consiga controlar o tempo todo.

Problemática Mente (amostra)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora