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Ally encarava o olhar sereno de Lauren. Ela sabia que infelizmente Lauren já estava completamente ligada emocionalmente à relação com Camila e toda situação que a cercava. Ela temia por isso, afinal, assim como essencial, o apoio familiar pode ser uma corda ao longo de uma difícil e árdua caminhada em qualquer tratamento ou apenas numa simples conversa.

Lauren estava mais uma vez em Columbia, Ally assistia os relatos dela com atenção, a mulher estivera com Camila e Noah nas últimas semanas e sabia detalhar as coisas perfeitamente. Era evidente o quão envolvida ela estava com aquela família, e como aquele enlace estava influenciando diretamente as prioridades de Lauren.

— Lauren, isso aumenta drasticamente a situação da Camila. Veja, eu não estava classificando o diagnóstico anterior como algo simples, mas sabíamos que tinha uma causa, e estávamos estudando uma ajuda. Porém, eu tenho que traçar pra você o quão eu estou preocupada. Estou preocupada pela Camila, isso é nítido, óbvio... mas, a minha maior atenção é com você, Dinah e principalmente, sem nenhuma sombra de dúvidas, com o Noah. — Ally enxergou a apreensão no olhar de Lauren. As mãos não descansavam, eram inquietas migrando desde seu rosto até agarrar a parte de trás do seu pescoço.

Lauren levantou e deu alguns passos ao longo da sala tateando a mesa de acrílico, enquanto os dedos formavam um movimento aleatório, sua mente varria os episódios que tivera com Noah e Camila e os seus olhos procuravam alguma maneira de ligar toda aquela inquietação ás palavras ditas anteriormente na sala.

Ally não parecia intimidante, nem tão pouco uma mulher rígida, mas era nítido seu nível de inteligência e quão preparada ela era, tanto na sala de aula, regendo e preparando novos profissionais, quanto no consultório, disso Lauren tinha certeza.

— Os casos de depressão não são iguais, mesmo quando o quadro de diagnóstico é o mesmo. Por exemplo, um caso de depressão causado por uma perda pode atingir duas pessoas, mas de forma diferente. É importante lidar com isso desde o início. Claro que, como eu falei anteriormente, hoje em dia as pessoas utilizam do beneficio de poder se expressar, para usar a opinião como uma maneira de ser parte da sociedade, abdicando da ética e trajando normas e definições absurdas para assuntos de cunho comum, mas é ai que você entra, é ai que a Dinah e o Noah entram. — Ally segurou a mão da médica com um sorriso gentil nos lábios e um brilho no olhar. —E eu sei que isso vai ser mais fácil se vocês continuarem assim, juntos. Por isso, eu gostaria de pedir a você para que nós pudéssemos falar com a Dinah e o Noah, até mesmo a Rachel. Todos que estão no círculo da Camila. Ela precisa saber que todos estão dispostos a lutar por ela e com ela."

— Você acha que eu estou me posicionando sobre isso de modo errado? — Lauren questionou enquanto Ally redigia seus escritos sobre a agenda de couro na mesa. — Eu nem mesmo sou da família e isso pode ser uma forma de invasão. Parece tão grosso tomar parte de algo sem nem ao menos conhecer a família da Camila ou obter sua autorização.

Ally franziu a testa olhando para a garota mais nova: — Isso não é sobre se permitir se parte Lauren. Claro que existe uma ética nessa situação, mas quando não estamos cientes da gravidade do problema e a dose que ela nos atinge, não temos a perspectiva de nada. Você não é uma desconhecida, e é muito bem permitida na família da Camila, afinal você convive com a parte mais importante dela frequentemente. — Disse Ally sob uma respiração leve, enquanto fechava a agenda.

Lauren caminhou novamente até a cadeira, onde sua pasta estava posicionada. Percebendo que, mesmo com todo enfático discurso que Ally dera, ela sempre procurava se restringir de que aquela baixinha era uma profissional, e sempre conseguiria o melhor do convencimento, mesmo que indiretamente.

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