Capítulo 2

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Quando voltamos da cozinha, minha mente trabalha a mil por hora enquanto eu praticamente mastigo meu polegar. O que Dalian quis dizer com lendas serem reais? Quais lendas? O que ele sabe exatamente sobre isso? Como ele sabe?

— Eu preciso de provas. — Lola diz, sem tirar os olhos de mim. Ela cruza os braços e desvia o olhar para os dois. — Vocês disseram que vieram buscar algo aqui. O que é?

Mike e Dalian se entreolham, provavelmente questionando se deveriam falar sobre o assunto ou não. Enfim, Mike dá de ombros e cutuca Dalian que pega algo em uma espécie de pochete que está em sua cintura.

Eu me aproximo, extremamente curiosa e me deparo com um objeto de aparência antiga dourado e um símbolo que lembra um nó celta desenhado. Por algum motivo não consigo tirar os olhos dele e as palavras parecem ter fugido completamente da minha boca.

— O que é isso? — pergunta Lola

— É um artefato que vai ajudar em nossa busca. Mas não podemos falar sobre ela. Vocês podem gritar, se descabelar ou o que for. — Mike responde enquanto eu estendo a mão para tocar o objeto, mas Dalian o tira do meu alcance, fechando a mão e levando-a próximo de seu peito.

— Eu não vou fazer nada, eu só quero ver. — respondo e contrariada, sem tirar os olhos do objeto.

Dalian estica a mão lentamente e volta e abre a mão, deixando que eu me aproxime. O tempo parece ter reduzido a velocidade e quando finalmente encosto na pequena esfera, um choque sobe da minha mão para o meu braço fazendo com que eu pule para trás, dando uma exclamação. Posso jurar que vi uma faísca saindo do objeto.

— O que foi isso? — pergunto enquanto seguro minha mão no peito.

— Curioso. — Dalian diz, me observando intensamente, as sobrancelhas franzidas. — O objeto respondeu a ela. — ele acrescenta claramente falando com Mike, mas sem tirar os olhos de mim.

— Mais um motivo que elas precisam vir com a gente. Precisam falar com João. — responde Mike.

— Espera aí. Ninguém falou nada sobre nos levar para lugar nenhum! Vocês disseram que iriam embora em paz. — Lola diz alarmada, arregalando os olhos.

— Eu quero ir junto. — posso sentir o olhar de Lola em mim, por isso me recuso a olhar para ela. — Vocês vão dar respostas mais concretas se eu for?

Eles concordam com a cabeça e não dizem mais nada.

— Você não pode ir! Eles são completos estranhos! — Lola praticamente grita comigo, suas orelhas ficando vermelhas.

— Você já pegou carona com estranhos e os trouxe para cá muito mais de uma vez. — eu lembro. Já perdi a conta de quantas vezes encontrei pessoas desconhecidas dormindo pela nossa sala depois de uma noite de festas e bebedeiras de minha irmã e quando perguntava quem eles eram, recebia um dar de ombros como resposta.

— Nenhum deles invadiu nosso apartamento no meio da noite, Evie. — seu tom de voz é arrogante, o exato tom que eu detesto e que sempre nos faz discutir. Agora é minha vez de ficar vermelha, mas ao invés de ficar apenas nas orelhas, como minha irmã, é meu rosto inteiro tomado por uma inconveniente cor escarlate.

— Mas poderiam. Quantos dos caras que você já trouxe para cá não poderiam te atacar no segundo em que colocassem os pés aqui dentro? Ou quantos deles poderiam me atacar enquanto eu estava dormindo? Você apenas deu sorte deles serem apenas babacas inconsequentes como você. — assim que as palavras saem da minha boca, eu me arrependo. Nossos nervos estão na flor da pele uma com a outra ultimamente. Eu nunca falei dessa maneira com minha irmã antes.

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